Nesta edição do EVILLIVƎ, a promotora Prime Artists decidiu alterar novamente o formato do festival. No lugar de três dias em formato Open Air do ano passado, a escolha recaiu sobre um só dia na Sala Tejo da MEO Arena, com um leque variado de artistas.

Para talvez compensar a redução do número de bandas, foi criado também este warm-up no dia 4 de Julho, com um cartaz de três bandas bastante coeso em que os escolhidos foram Okkultist, Cavalera e Trivium.

Okkultist

Na ressaca da sua primeira participação no Resurrection Fest, a banda portuguesa Okkultist estava encarregue de abrir este dia quente de Julho com o seu Death Metal melódico.

O concerto começou com pouca gente na plateia e também alguns problemas de qualidade de som. Mas nada que fizesse abrandar a experiente banda liderada por Beatriz Mariano. E foram mesmo os poderosos dotes vocais e o carisma da vocalista que começaram a entrosar o público com mais uma performance bastante consistente.

À medida que a sala se ia compondo, o som equilibrou e já se viam os primeiros moshpit, com destaque para a habitual cover de Children of Bodom, Sixpounder’. Houve tempo ainda para a apresentação do novo tema Teeth of The Hydra’, que gerou uma boa reação com os fãs presentes.

Cavalera

Depois dos portugueses, chegava a hora da maior atração da noite. Cavalera trouxe os dois irmãos, Igor e Max, de volta ao nosso país para tocarem novamente temas de Sepultura, e nesta ocasião, fomos presenteados com o álbum ‘Chaos A.D.’ tocado na íntegra, embora com algumas alterações no alinhamento dos temas.

Este disco foi um marco muito importante na carreira dos Sepultura. Lançado em 1993, foi o trabalho que redefiniu a identidade da banda, ajudou a estabelecer as bases do que viria a ser o groove metal e ficou na história como um dos melhores registos dos veteranos brasileiros. E isso foi notório pela adesão e pelo entusiasmo do público presente.

Assim que entraram em palco e se ouviu a bateria tribal do tema ‘Refuse/Resist’ automaticamente se abriu uma clareira gigante a meio da sala, onde o caos continuou pelo concerto todo. Já com o espaço bem composto, ‘Slave New World’ e ‘Amen’ seguiram de rajada e mostram que os irmãos ainda estão numa forma absurda para quem já leva cerca de 40 anos de carreira. A super atual ‘Propaganda’ foi cantada quase em uníssono e nem a acústica ‘Kaiowas’ faltou, tema inspirado numa tribo indígena do Guarani, onde o conjunto estava iluminado apenas pela luz dos telemóveis e dos isqueiros da plateia.

We Who Are Not as Others’, ‘Polícia’ e ‘Troops of Doom’ foram outros destaques que provaram que tanto os ritmos mais lentos como os mais thrash se complementam, mantendo sempre o público bastante comprometido com a atuação em palco.

A agressividade de ‘Territory’ inicia o encore onde acabou em tom de remix tribal com a ‘Chaos B.C.’, tema que encerra o álbum e a atuação da banda.

Foi um excelente concerto, que termina com um abraço em família em que Max e Igor se mostraram bastante emocionados com a ovação de uma plateia que, na sua maioria, veio presenciar um pedaço da história do Heavy Metal.

Trivium

Foi ao som da ‘Coração Não Tem Idade’, do grande ícone da música portuguesa Toy, que os Trivium entraram em palco. Os americanos são uma banda que tem uma conexão muito especial com o público do nosso país, tanto por causa dessa colaboração, como também pelo nível das performances que têm em palco. Parece que Trivium não sabe o que é dar um mau concerto.

A set arrancou com a já clássica Pull Harder on the Strings of Your Martyr’, uma muralha de blast beats, guitarradas e muita pirotecnia. O público, como já é normal, elétrico desde o primeiro até ao último acorde. Não demorou muito até se formar um moshpit de proporções simpáticas e darem início às sucessivas ondas de crowd surf.

Strife eA Gunshot to the Head of Trepidation deram sequência a este início mais agressivo que foi brevemente interrompido pela mais melódica The Sin and the Sentence. Isto reflete uma das imagens de marca da banda comandada por Matt Heaffy, a capacidade de abranger vários estilos e registos e a capacidade de transitar entre eles sem qualquer dificuldade.

Uma dedicação especial ao Toy depois do tema Until the World Goes Coldque serviram como um momento mais calmo antes de voltarmos a duas músicas ‘Ascendancy, Like Light to the Flies’ e ‘Dying in Your Arms’.

O espetáculo terminou com a já habitual ‘In Waves’ , que colocou toda a Sala Tejo aos saltos. Foi mais um concerto bem conseguido em que a banda volta a confirmar o porquê de serem uma referência dentro do género.

No final, ficou a promessa de mais um regresso em 2027, regresso esse que já não se encara com surpresa, mas será certamente bem recebido.

Galeria
Fotos por Hugo Rodrigues
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