AO VIVO

por Jorge De Almeida em 27 Janeiro, 2020

Novo ano, a mesma rotina. O punk regressa ao RCA, como tantas outras vezes, sem parecer um dia mais velho. De igual modo, os mestres de cerimónia desta noite fria de Janeiro, parecem fintar a idade como um anarquista no meio de um carga policial. Um verdadeiro feito. Os Anti-Flag têm o aspecto que eu acho que os Green Day têm até uma pesquisa no Google Images me corrigir. A noite começa com Derek do projecto The Homeless Gospel Choir a gritar ao microfone, “I don’t know, it sound shitty!” E realmente soava. O RCA é capaz de não ter sido feito para guitarras acústicas. Não se fazendo tímido, do alto do palco salta cá para baixo e toca todo o seu set cá em baixo. De música de protesto em música de protesto, o músico que amiúde nos lembrava Jeff Rosenstock cantava sobre depressão, ser um punk numa Pittsburgh fria, e sobre a pedofilia institucionalizada da Igreja. Enfim, o básico, não é? “Let’s sing this together as new friends,” pedia este amigo. “You’re never gonna be normal, cause you’re a punk.” E o RCA, que, apreensivo ao início com a proximidade e honestidade do artista, cantou a uma voz, rendido ao artista. Com pressa na saída, é logo rendido pelas Dream Nails, banda que não estou equipado para explicar. Mas aqui vai: uma banda punk, queer, feminista e anti-capitalista, com uma estética girly-girl e logos da NIKE em grande destaque (pelo menos ao vivo). Deixam-me confuso e suponho que seja essa a ideia. Há que gostar de alguns pormenores interessantes o punk que apresentam. Muitas vezes há a tendência para bandas de mulheres evidenciariam que são tão capazes como os rapazes no jogo “deles,” mas as Dream Nails fazem o seu próprio jogo. A vocalista canta na sua voz aguda e não faz questão de que se saiba se consegue fazer um gutural ou não e os temas que abordam são muito especifico ao universo feminino, particularmente o queer. O que nos traz a uma questão: onde é que andam os não-binários e até mesmo as mulheres do punk. A comunidade é inclusiva, subscreve todos os apelos à aceitação, mas quando as Dream Nails pediam ao microfone “Women and NB, come to the front,” não houve movimentações no público porque não havia muita gente que coubesse nesse critério. Havia algumas mulheres, mas por acaso já lá estava, à frente. Mas foi confrangedor perceber esta realidade. Particularmente, num meio que se declara feminista. (E é). A música era energética, a movimentação em palco livre de preconceitos e tudo sabia a algodão doce zangado. Sobravam os Anti-Flag. Nove anos depois da sua última passagem, nesta noite sobravam os punks anarquistas(?) de Pittsburgh que acham que todos os gatos são belos. O concerto começou com toda a garra com “Christian Nationalist” do álbum mais recente, 20/20 Vision. Diga-se, aliás que os temas mais orelhudos do novo trabalham fizeram todos a viagem para Portugal e convivem em harmonia agressiva com os clássicos. A piscar o olho à política norte americana Justin Sane e Chris trocavam palavras de ordem com o público que as acolhia como gospel. Gritados ao microfone ou no megafone, mantras revoltosos de união, solidariedade e aceitação eram ecoados e devolvidos em comoção pelo RCA. Turncoats, tornar-se-ia um momento particularmente efusivo. Circle pits, saltos para a piscina, um ou outro surfista; fez-se o bingo dos concerto punk. O que não se esperava foi o bónus antes dos Anti-Flag dizerem adeus- Em “Die for Your Government” a bateria é colocada no chão do RCA ( com alguma demora, graças a duas jovens em palco absortas do que estava a acontecer) e Chris viria para cima do bomba gritar até lhe faltar o ar. Um momento incrível (mais um, na verdade) para a colecção do espaço Lisboeta. O concerto termina com toda a gente devidamente suada e bem cheirosa. Os Anti-Flag prometem que não demoram outros noves anos e nós vamos contar os dias para ver se é verdade.


por José V. Raposo em 15 Dezembro, 2019

A amizade Portugal-The National teve mais um bonito capítulo escrito no Campo Pequeno.


por Arte-Factos em 5 Dezembro, 2019

Depois do sucesso que a digressão Return Beneath Arise tem alcançado por todo o mundo, foi a vez de Portugal receber os lendários Max & Iggor Cavalera.


por Ines Cisneiros em 2 Dezembro, 2019

Não era certo que desse para fingirmos que nunca tínhamos saído da faculdade e que os Vampire Weekend ainda eram “cool”.


por Vera Brito em 24 Novembro, 2019

Alguns dirão que esta edição do Super Bock em Stock perdeu batimento cardíaco, por aqui confessamos que foi até uma agradável surpresa.


por Isabel Leirós em 14 Novembro, 2019

Punk rock melódico e para jovens adultos ao vivo no Mucho Flow


por Isabel Leirós em 11 Novembro, 2019

Os Heavy Lungs estrearam-se em Portugal com concerto no Mucho Flow 2019


por Alexandre Junior em 11 Novembro, 2019

A Sala Principal do Theatro Circo transforma-se e transforma-nos. 


por Hugo Rodrigues em 2 Novembro, 2019

Os The Lumineers trouxeram a Lisboa a apresentação ao vivo de "III", naquela que foi a sua primeira data em nome próprio no nosso país.


por José V. Raposo em 25 Outubro, 2019

O estandarte dos Battles continua a marchar invicto, tendo a batalha do MusicBox resultado em vitória.


por Hugo Rodrigues em 19 Outubro, 2019

O Coliseu dos Recreios, em Lisboa, recebeu uma noite histórica com a actuação de Sam The Kid, acompanhado por uma orquestra e os seus Orelha Negra.


por Hugo Rodrigues em 14 Outubro, 2019

A digressão que junta os Volbeat, Baroness e Danko Jones passou na semana passada pelo Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Vejam em baixo as fotos desses espectáculos.


por Vera Brito em 8 Outubro, 2019

Nem tudo é "pior" neste "novo" Nick Murphy que agora é capaz de se soltar completamente em palco, numa liberdade e confiança que dá gosto de ver.


por Hugo Rodrigues em 28 Setembro, 2019

Os PISTA apresentaram no Musicbox, em Lisboa, o seu recém editado disco "Ocreza", numa noite recheada de convidados especiais.


por Hugo Rodrigues em 14 Setembro, 2019

Os setubalenses Um Corpo Estranho passaram pelo Sabotage Club, em formato quarteto, e podem ver as fotos da noite aqui dentro.


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