Quinta-feira, 11 de junho. O primeiro dia do Primavera Sound Porto 2026 ficou marcado por um calor fora do comum para a época. Não que tenha sido propriamente uma surpresa, estava previsto, mas quem conhece o festival sabe que aquelas temperaturas não são habituais por esta altura do ano. Quem chegou mais cedo ao Parque da Cidade apanhou Vaiapraia e emmy Curl ainda com sol a pino, numa abertura descontraída que foi dando lugar a uma noite progressivamente mais intensa.
Os PAUS levaram até ao Palco Primavera a digressão de Enterro, o álbum que marca o fim anunciado da banda em dezembro deste ano. O rock musculado e a bateria siamesa de Hélio Morais, Makoto Yagyu, Fábio Jevelim e Quim Albergaria soaram com a urgência de quem sabe que as oportunidades estão a esgotar-se e o público correspondeu.
Quando o sol começou a baixar, os Sensible Soccers tomaram conta do palco com as suas paisagens eletrónicas e hipnóticas, funcionando como transição natural entre a tarde e a noite. A seguir, Texas Is The Reason transformaram o Palco Zyn num local de culto para quem cresceu com o post-hardcore melódico de Nova Iorque nos anos 90. Uma daquelas presenças raras que dificilmente se repetem.
A noite entrou em território mais pesado com os Agriculture a levarem o público ao limite do conforto, num set que oscilou entre momentos mais calmos e uma intensidade e velocidade de cortar a respiração, antes de os KNEECAP subirem ao palco. O trio irlandês fez um set carregado de referências à Palestina, misturadas com a energia caótica que os caracteriza. A fechar, Gelli Haha trouxe um espetáculo colorido, animado e cheio de brincadeira que foi a nota de leveza perfeita para encerrar uma noite longa e quente.