Sábado, 13 de junho. O último dia completo do festival voltou a ser quente, com Aiko el grupo a dar o tom no Palco Primavera e The Sophs a trazerem grande energia ao Palco ZYN para abrir as hostilidades.
Os Triángulo de Amor Bizarro ocuparam o Palco Vodafone com o shoegaze denso e carregado que os tornou numa das bandas de culto da península ibérica, enquanto Mike D trouxe toda a irreverência e o legado de uma das carreiras mais influentes da música contemporânea. O cofundador dos Beastie Boys, que cresceu no caos criativo do Manhattan dos anos 70 e ajudou a transformar hip-hop, punk e funk numa das fusões mais importantes da história da música, chegou ao Parque da Cidade com todos os músicos vestidos de cor de rosa e deu um dos grandes concertos do dia.
Sudan Archives foi uma das surpresas da noite. Brittney Parks chegou ao Palco Primavera com o violino ao centro e mostrou porque é que não existe uma definição simples para o que faz: violinista, vocalista, produtora e arqueóloga incansável da identidade sonora afro-americana, Parks percorreu o universo Afrofuturista que construiu desde Athena com uma confiança desarmante. Foi um dos momentos mais marcantes do festival.
Os Yard Act aqueceram o Palco Estrella Damm ao final da tarde com o funk rock irreverente de Where’s My Utopia? e James Smith a correr, dançar e contorcer-se pelo palco com a energia de quem tem muito a dizer e pouco tempo para o fazer.
A noite pertenceu aos Massive Attack. A dupla de Bristol trouxe ao Palco Estrella Damm a componente visual política e social que os define, num concerto que não foi apenas música mas uma declaração de intenções sobre o estado do mundo. Pioneiros do trip-hop, continuam a ser um ponto de interrogação absolutamente necessário.
Os IDLES fecharam o festival no Palco Vodafone da única forma que sabem: com fúria, empatia e o público a fazer parte do concerto desde o primeiro segundo, numa noite em que a mensagem de solidariedade à Palestina ecoou pelo recinto em coro. Para os mais resistentes, os Model/Actriz encerraram a madrugada no Palco Primavera com um noise-rock industrial e claustrofóbico que foi a banda sonora perfeita para queimar os últimos cartuchos de energia.