Yes

Mirror to the Sky
2023 | InsideOut Music, Sony Music | Rock progressivo

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Desta vez a espera foi curta. “The Quest” foi há apenas dois anos. Podemos forçar-nos a acreditar na ideia que tal se dá devido a um excesso de inspiração e ideias. Se “Mirror to the Sky” ou o seu antecessor realmente tivessem algum excesso de inspiração e ideias. Façamos todas as vénias aos Yes e ao seu inigualável legado, aos 45 anos de carreira, até ao trabalho de Steve Howe, o sobrevivente, em segurar o barco. Mas reconheçamos que não é com os seus trabalhos mais recentes que nos impressionamos.

Mirror to the Sky” tem imensos paralelismos com “The Quest.” Tanto que até podemos colocá-los lado a lado. Tanto que até podemos recorrer a estas mesmas páginas e ao que aqui foi dito acerca desse disco, para referência do que dizer sobre este novo. As semelhanças são inegáveis. Nem mesmo o disco bónus com mais três músicas a acrescentar pouco ou nada falha. Tem mesmo um efeito de espelho. Mas relendo palavras daqui mesmo para classificar “The Quest.” Olhava-se aos dois lados, um mais positivo e outro um pouco mais desagradado. Nessa parte, recorreu-se a algumas palavras-chave como “arrasto,” “pouca variedade,” “excessos,” “homogeneidade” e até se faz uma brincadeira com “Steve Howe Band.” Infelizmente dá para empregar os mesmos termos. “The Quest” e “Mirror to the Sky” são mesmo muito semelhantes.

Contradiz em algumas coisas, como quando se afirma que esse antecessor era “maioritariamente baladeiro” e mais focado na parte “suave e melódica.” Até pode seguir-se essa mesma vertente aqui, mas reduzem nessa parte do aborrecimento. A faixa-título é a obra superior. Nos dois discos. Rocka verdadeiramente no seu miolo, culmina numa catarse sinfónica à procura de filme para ser a emocionante banda sonora e até podemos destacar o subvalorizado trabalho de baixo do seu início. Destacamos uma faixa no meio de dois trabalhos, que é a parte alarmante, a que nos faz dar o braço a torcer e reconhecer que os grandes Yes já não estão na sua melhor forma. E enquanto há toda a docilidade melódica, trabalho instrumental, ambiente fantasioso e até novos membros a cumprir lindamente o trabalho de reproduzir os Yes do passado, – atribuir a palavra “imitação” ao vocalista Jon Davison já é demasiado cínico e maldoso – não existem muitos mais temas memoráveis além do já destacado. “Mirror to the Sky” parece ter sido feito a seguir o “The Quest” ali ao lado, como referência para consulta. Que, por sua vez, já parecia feito com o manual de instruções de como soar aos Yes à mão. A essência assim acaba por se ir esbatendo e chega-nos um álbum que deixará, com certeza, muitos satisfeitos, mas assinado por um nome pequenino em grafia mas gigante em valor… Que merecia mais.

Músicas em destaque:

Cut from the Stars, Luminosity, Mirror to the Sky

És capaz de gostar também de:

King Crimson, Gentle Giant, Glass Hammer


sobre o autor

Christopher Monteiro

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