Yes – Aurora

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Rock progressivo
Editora InsideOutMusic, Sony Music
Destaques Aurora, Countermovement, Jambustin’
Yes – Aurora
6.5/10

Pronto, são os Yes, entre os maiores da sua cena e com mais de um punhado de décadas de carreira. E ainda editam com alguma regularidade. Mas, ultimamente, já nos têm de expectativas contidas e até se entende. Podemos deixá-los envelhecer. “Aurora” começou a ser preparado logo a seguir ao lançamento de “Mirror to the Sky” e nota-se, já que segue exactamente a mesma vertente suave. Sendo já um pouco mais mauzinhos, podemos dizer que, se estão a ganhar lanço desde esse, ainda não foi neste que descolaram.

É uma versão dos Yes que pode ser considerada apenas Steve Howe e companhia, e mantém o formato maioritariamente acústico. Mas não é aí que falha, já que os Jethro Tull também são o Ian Anderson e mais alguns, com mais folk do que rock, e até têm saído uns discos surpreendentemente jeitosos. A suavidade dos Yes é uma que não lhes assenta assim tão bem, mesmo que se note a mesma ambição em algumas das composições, como aquela grandiosidade sinfónica da faixa-título, a longa “Countermovement”, ou a eléctrica e mais espacial “Outside the Box”. Soam a uns Yes à procura deles próprios, mas a medo, seguros naquele formato, no acústico, nos sintetizadores ainda presos nos 80s, algo que nunca associaríamos a uma banda tão inovadora e extravagante como sempre foram os Yes, até mesmo quando tiveram a sua renovação comercial para um “90125” agora já perdoado e aclamado.

São essas canções aguadas e é um Jon Davison, que já está na voz dos Yes há um bom tempo e está longe de ser um mau vocalista, mas que com o seu constante falsete tenta, sem suceder, soar igual a Jon Anderson. É um fantasma que não dá para afastar e são canções sem aquela irreverência à Yes para que realmente deslumbre ou cole. “Aurora” não é um desastre de disco, nada disso, nem sequer podemos dizer que os Yes estejam a atravessar aquela velhice embaraçosa marcada pela falta de noção. Steve Howe ainda consegue um trabalho impressionante nas guitarras (que ainda recorre àquilo que podemos precisar como uma catrafada delas, diferentes), e o espírito dos velhos Yes ainda dá para ser recuperado numa “Jambustin’”. São uns Yes cansados, mas que ainda querem ser os Yes. Nem os levamos a mal, já partimos a aceitar que ficará um disco aquém, mas não totalmente dispensável.


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