Yes

The Quest
2021 | InsideOut Music, Sony Music | Rock progressivo

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Antes de mais, aquela obrigação de fazer algo respeitoso, como levantar-nos, antes de falar de uma instituição como os Yes. Essa banda de nome monossilábico e tão simplista que já é um sinónimo de todo o rock progressivo, desde que esse invadiu o panorama musical. Uma omnipresença em qualquer imaginário do rock artístico e não só, com mais de cinquenta anos de carreira e já 22 álbuns de originais. Mesmo um povo mais desligado do prog rock já bateu o pé à “Owner of a Lonely Heart,” porque também eles tiveram que sobreviver à década de 80, recorrendo à pop e ao AOR. Prestado o respeito, sentemo-nos e ouçamos o novo “The Quest” ainda com a homenagem em mente, porque já saberemos, à partida, que não será propriamente do seu melhor trabalho.

Até começamos pelo mais delicado, que é: quem são estes Yes. Sim, tem Steve Howe quase a fazer disto um espectáculo seu, ele que já remou este barco durante toda a década de 70 e ingressou a banda pouco depois da sua formação. Mas, com a morte de Chris Squire, a estes Yes já não sobra um membro original. O risco que assumimos ao entrar por esta “quest” dentro é a de que isto possa ser uma espécie de “Steve Howe Band” a prestar tributo aos Yes. Em partes, é inevitável, tudo o que se ouve em “The Quest” é característico, é de uma exímia musicalidade e não se lhe retira naturalidade e alma, mas acaba a reproduzir aquilo que era a sua marca nos gloriosos tempos da década de 70, focando mais na parte suave e melódica, até maioritariamente baladeira, preferindo isso a deambular numa overdose de sintetizadores que a faixa de abertura poderia sugerir – senão isto passava a ser Asia num instante. A partir daí há canções e melodias belíssimas. O pecado está no arrasto e na pouca variedade.

The Quest” chega a perder-se pelo meio dos seus excessos – e um pouco justificável segundo disco de apenas três canções e menos de quinze minutos, parecendo apenas um EP anexado que nada acrescenta. E não deixa os seus pontos mais fortes brilhar, porque eles estão lá: as melodias, um magnífico trabalho de guitarra, e todo aquele imaginário à Yes, que não deixa de aparecer nos temas mais complexos. Tudo afogado na homogeneidade e falta de distinção entre temas, que acabam por representar apenas um lado dos lendários Ingleses: mesmo como se já não fossem capazes de reproduzir mais do que isso. “The Quest” é um disco de qualidades, é um disco suficientemente à Yes e até é superior a “Heaven & Hell,” regularmente acusado de nem sequer se esforçar de ir além do brando. Mas já aqui falámos do legado. Até podemos esquecer “The Quest” daqui a nada, mas não esqueceremos quem eles são e o que já fizeram.

Músicas em destaque:

The Ice Bridge, Future Memories, A Living Island

És capaz de gostar também de:

Genesis, Van der Graaf Generator, Asia


sobre o autor

Christopher Monteiro

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