Remarkably Bright Creatures

por Pedro Rolino

Sally Field brilha nesta emotiva e honesta história de conforto.

Título Português Criaturas Extremamente Inteligentes
Ano 2026
Realizador Olivia Newman
Elenco Olivia Newman, John Whittington, Shelby Van Pelt
País EUA
Duração 111min
Género Drama, Comédia, Fantasia
Remarkably Bright Creatures
6/10

Adaptado do romance de Shelby Van Pelt, Remarkably Bright Creatures, com realização de Olivia Newman, estabelece desde os primeiros momentos o seu rumo de forma direta. Em Sowell Bay, a narrativa desenrola-se à volta de Marcellus, um polvo que habita o aquário local e assume a função de narrador ativo e observador quase omnisciente. Através desta perspetiva singular, somos apresentados a Tova e Cameron, figuras cujas trajetórias convergentes antecipamos com facilidade.

Tova carrega o peso de uma solidão antiga, marcada pela viuvez e pelo desaparecimento do filho num acidente de vela ocorrido há mais de três décadas. Cameron, por outro lado, trata-se de um jovem que chega à vila movido pela necessidade de respostas sobre a sua própria ascendência, transportando consigo apenas uma fotografia antiga e um anel que encontrou na caravana herdada da sua recém-falecida mãe. O argumento gere estas pontas soltas com uma economia de meios, permitindo que as peças se encaixem sem grandes sobressaltos.

A obra assume um tom de conforto e alguma previsibilidade, navegando entre a comédia e um sentimentalismo que roça por vezes o excessivo. Ainda assim, Sally Field e Lewis Pullman entregam interpretações que garantem dignidade aos seus papéis e sustentam as escolhas menos ambiciosas do texto. Para além disso, a presença de Alfred Molina, ao dar voz a Marcellus, acrescenta uma cadência solene e melancólica, embora o filme atribua frequentemente às suas intervenções um pendor didático e moralista.

A linearidade da montagem impede que a história perca o fôlego e assegura que as peripécias secundárias se integram com naturalidade suficiente para compor o ambiente sem desviar o foco do núcleo da ação. Tal sublinha a honestidade com que Newman a conduz, permitindo que o espectador se envolva na resolução dos conflitos sem a interferência de mecanismos narrativos rebuscados. Se esta segurança afasta o enredo de voos mais altos, também evita que se perca em artifícios que prejudicariam a sua eficácia enquanto entretenimento familiar.

No desfecho, a resolução das incógnitas e a união final reforçam um sentimento de ordem e de esperança recuperada através de pequenos atos bondosos. É, aliás, aí que o título acaba por revelar o seu verdadeiro sentido, ao sugerir que as criaturas extraordinariamente brilhantes a que alude somos nós, especificamente aqueles que escolhem agir com retidão moral e sentido de alteridade.


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