Hidden Figures

por Jose Santiago

Um filme leve, simpático e interessante do ponto de vista histórico, mas segue um modelo mais do que gasto.

Título Português Elementos Secretos
Ano 2016
Realizador Theodore Melfi
Elenco Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner
País EUA
Duração 127min
Género Drama
Hidden Figures
5.5/10

Elementos Secretos coloca-nos nos Estados Unidos, em 1961. É aí que encontramos três mulheres afro-americanas que, contra todas as expectativas sociais, chegaram a posições fulcrais na corrida espacial contra a Rússia. Uma história pouco ou nada conhecida que nos transporta, não só para o clima tenso de um país sob ameaça de guerra nuclear, mas também para a tensão racial de uma década decisiva na luta pela igualdade de direitos.

Em época de prémios é impossível dissociar o filme da expectativa que a industria construiu à volta dele, tornando-o numa escolha demasiado banal para poder ser incluido na corrida às estatuetas douradas, mas não menos meritória pela história que apresenta. As mulheres que controlam a narrativa são apenas três das dezenas de computadores afro-americanas a trabalhar na NASA, uma empresa governamental progressista mas que ainda alimentava a segregação e a diferença de género. O ponto mais forte do filme reside na capacidade de nos transportar para um cenário quase distópico, mas real, em  que tudo é vedado às nossas personagens principais: impossibilitadas de ir à mesma casa de banho que os brancos, de consultar os mesmos livros na biblioteca, de sentar em qualquer lugar no autocarro e de poder prosseguir estudos em qualquer escola. Há um clima desesperante em torno destas mulheres e o filme transmite-o de forma perfeita, mas apenas de maneira circunstancial, uma vez que os diálogos não estão, de todo, a par com a gravidade da situação. As interações humanas são quase cartoonescas e demasiado fabricadas para termos um entendimento pessoal de tudo o que está a acontecer. O que não ajuda, também, são as músicas excessivamente animadas de Pharrel Williams que nos acompanham ao longo de toda a história, especialmente quando frustrações do dia a dia passam a situações cómicas, fragilizando a intenção do filme.

Apesar de sermos apresentados a três personagens centrais, há uma com maior destaque, interpretada por Taraji P. Henson. A actriz escolheu não ligar a nada do que estava escrito no guião e dar o mesmo ênfase da questão racial a qualquer linha de texto. A certa altura há discussões acerca de equações matemáticas e não percebemos o porquê de tanta acertividade e emoção depositada na cena, tornando a personagem numa caricatura sem o mínimo de credibilidade histórica. O mesmo não se pode dizer de Kevin Costner, o superior hierárquico destas mulheres que se demonstra mais progressista e prático do que qualquer um dos seus pares, mas que o demonstra de forma subtil e verosímil. Janelle Monáe e Octavia Spencer são os pilares deste filme e as melhores prestações que aqui vamos encontrar, o que não é dizer muito, mas são interpretações sólidas e competentes dentro do contexto.

É um filme leve, simpático e interessante do ponto de vista histórico, mas segue todos os modelos de uma história inspiracional sobre superação de adversidades. Não se destaca de maneira nenhuma e é estranho que tenha tanto alarido à sua volta. A questão racial é pertinente mas não suficiente para toldar o pragmatismo que se quer de uma massa crítica.


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