Virgem Suta — No Céu da Boca do Lobo

por Arte-Factos
Ano 2024
Estilos Pop/Rock
Editora Edição de autor
“No Céu da Boca do Lobo” de Virgem Suta

No ano de celebração do décimo quinto ano de carreira, os Virgem Suta lançam novo disco com a produção de JP Coimbra e colaboração do músico Jorge Costa. Exemplo de consistência artística, Nuno Figueiredo e Jorge Benvinda são autores de algumas das canções mais irresistíveis da música portuguesa. As suas composições ganham uma intensidade que varia entre a energia contagiante de uma festa e a tranquilidade comovente, criando na audiência a sensação de estar em casa.

#1 Direto de TV

É um tema que fala da loucura que atualmente vivemos em torno da comunicação social, e da necessidade de se arranjar pretextos para notícias catastróficas só para prender ouvintes e telespectadores aos ecrãs. Os fins justificam o uso de qualquer meio, até da exploração da infelicidade dos outros e, muitas vezes, para se chegar à conclusão de que a notícia não existia, foi só conversa para entreter e a montanha pariu o rato.

#2 Dois Dias

É um tema que fala da pressa que vivemos e que nos consome. Vivemos num tempo em que a competição e a ambição nos cegam de tal forma que parecemos autómatos atrás do engodo, deixando para trás o essencial da vida que passa num ápice. Somos uns eternos perseguidores de cenouras que nunca vamos conseguir agarra-la porque há sempre um desafio maior que nos prende a atenção e nos leva para um abismo que nunca mais acaba.

#3 Adeus

Fala do fim de uma relação que, apesar de tudo, termina bem. Termina com a  noção de que o que foi não volta a ser nem faz sentido continuar. Tudo o que fica são lembranças boas e o que há-de vir será também bom para ambos. É uma canção de um final que, não sendo feliz, não chega a ser triste, pois contém uma esperança e vontade de alcançar a felicidade e equilíbrio novamente.

#4 Paraíso

É uma canção que fala de uma relação de amor e de alguém que julga que alcançando mais valor (monetário), conseguirá proporcionar mais felicidade à pessoa que ama, mas percebe que a ausência tem um preço demasiado alto que não compensa o que perde da relação. O valor que atribuímos a objetos ou dinheiro revela-se menos importante do que o valor do afeto e da companhia da pessoa que se ama.

#5 Amor ao Avesso

É uma canção de amor que encerra a brincadeira com as palavras Amor e Roma associadas ao ditado popular “todos os caminhos vão dar a Roma”. Pois se é certo que todos os caminhos chegam a Roma, também o amor não tem rotas estanques e, haja as voltas que houver, o amor prevalece quando duas pessoas se querem.

#6 Cantar até Cair

É uma canção que fizemos há uns anos para o disco do Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento e que depois começamos a tocar em alguns concertos, modificando o arranjo e, entretanto, apoderamo-nos dela. Esta canção é uma género de ladainha que fala de alguém que ama outra e a quer tão bem que sente que ela é o seu porto seguro. Este tema é para cantar em loop para fazer sentido no final, por ser tão pequenina, simples e próxima de quem a ouve.

#7 Bom Rapaz

Esta canção é a história de alguém que percebe que por mais que se esforce, lute e tente vencer na vida, não vai passar do que já é porque a sociedade tende a reproduzir a função social dos elementos que a constitui. É uma canção que retrata um trabalhador comum que no dia a dia dá tudo o que pode e chega à conclusão que o que lhe apetece no final é mandar tudo ao ar porque se apercebe que não consegue mudar a sua vida nem proporcionar melhores condições à sua família porque a sociedade não lhe permite.

#8 Dar o Gosto ao Gosto

É uma canção que surgiu na viagem de regresso de Santiago do Chile para Portugal, quando lá fomos tocar ao Festival Womad. Nessa viagem ficámos uns dias em Santiago e num dos tascos mais famosos da cidade estivemos a conviver com um senhor que lá cantava e tinha uma expressão que guardei que era: “Dar o gosto ao gosto”, ou seja, alimentar o que nos faz felizes. Na viagem para Portugal eu e o Jorge começamos a fazer uma canção em conjunto e ocorreu-me a expressão, pois materializava a nossa experiência daquela viagem. No fundo esta canção fala daquilo que justifica a alegria de estar vivo, que não é mais que a partilha, o convívio, o brinde e a riqueza de termos amigos para celebrar tudo isto connosco.

#9 Zé Caldeira

É uma canção que fala da vida na aldeia, da pacatez do baixo Alentejo e da importância que o cante alentejano tem para esta gente. As modas surgem nas tabernas, ao balcão, no convívio com os amigos e os versos vão surgindo de forma simples, humilde, mas bonita. O cante representa esta união, esta vivência que preza o estar junto dos amigos cantando em conjunto o bom e o mau de uma realidade única que tanto nos diz.

Os primeiros concertos de apresentação do álbum serão a 12 de novembro, em Lisboa, no Teatro Maria Matos, a 21 de novembro, na Casa da Música do Porto e a 22 de novembro na Casa das Artes de Felgueiras. Nestes concertos a banda propõem uma viagem sonora com passagem obrigatória por novos temas, clássicos incontornáveis e temas já editados, nunca antes apresentados em concerto.

Ao vivo, além de Jorge Benvinda na voz e guitarra e Nuno Figueiredo nas guitarras e coros, a banda contará com Bruno Vasconcelos nas guitarras, programações e coros, Hélder Morais no baixo, sintetizador e coros e Jorge Costa na bateria, percussões e programações.


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