Vodafone Paredes de Coura 2026 – Dez Concertos A Não Perder

A cerca de uma semana de mais uma edição do Vodafone Paredes de Coura, é hora de apresentar a nossa antevisão para mais uma campanha courense. Compulsado o cartaz, tracemos um paralelismo com a final da Taça de Portugal da época passada: o nome pequeno venceu o nome grande e, com isso, arrecadou o caneco e a glória.
Na nossa perspectiva, o cartaz deste ano do certame é exactamente assim. Se a maioria dos nomes grandes não entusiasma como os de edições anteriores, os nomes das letras mais pequenas do cartaz deixam-nos, atento o seu assunto, com curiosidade suficiente para, uma vez mais, rumar a Paredes de Coura (e não “ao Paredes”, credo). Diga-se, em abono da verdade, que seleccionar apenas dez concertos a dar maior destaque não foi de todo fácil, que o plantel deste ano é de qualidade.
Com efeito, desde veteranos como Kurt Vile e Cate Le Bon até nomes como os Freeman (ao quadrado), Ryan Davis ou University, o sumo da edição está nos nomes que chamam mais a atenção pela sua qualidade do que pela visibilidade mediática ou méritos passados. Ainda no respeitante a actuações, mais se informa que o glorioso colectivo GPSS terá, como sempre, o seu set no Xapas Lounge, desta vez na noite de terça-feira, 11 de Agosto, a partir das 23h30 e até sabe-se lá que horas. Por seu turno, na véspera, 10 de Agosto, também no Xapas Lounge e a partir das 23h30, haverá set a solo de Rufia Terno, sempre em vinil por causa dos graves.
Depois de um ano de espera por mais uma ida ao Couraíso, aqui deixamos dez concertos (sem estarem por ordem) a não perder nesta edição do festival, complementados por outras propostas com interesse.
1. Carolina Durante – Como representantes do mais recente e interessante rock alternativo do país vizinho, os muchachos de Carolina Durante são um pimento de padrón sónico: aguerridos e com microfone afiado. Esperemos que voltem a trazer o seu escritório para o palco, no qual todos picaremos o ponto. Aproveitem e vejam aqui imagens da sua passagem pelo Primavera Sound Porto no ano passado. (sexta-feira, 14/08, palco Vodafone, 16h55);
2. Cate Le Bon – Sempre camaleónica e quase sempre interessante, Cate Le Bon vem a Coura num momento fulgurante da carreira, no seguimento do lançamento de Michelangelo Dying, disco essencial do ano transacto. Numa discografia na qual a exploração sónica anda de braço dado com a dissecação de vulnerabilidades emocionais, espera-se que os seus memoráveis arranjos de veludo dos sintetizadores consigam dar um salto condigno para o palco courense. (sábado, 15/08, palco Vodafone, 18h55);
3. Kurt Vile & The Violators – Eis o regresso de um dos cantautores preferidos aqui do tasco. Se em nome próprio não vem cá há já oito anos (tempo de um grande concerto no antigo Lisboa Ao Vivo), em Coura não põe os pés há doze. Naquela que será a sua terceira actuação no festival (após 2011 e 2014), o descontraído-mor de Filadélfia traz-nos, para além de uns quantos clássicos, Philadelphia’s Been Good to Me, uma homenagem à sua maneira a Filadélfia. Mesmo sem o seu genial colaborador de sempre, Rob Laakso (RIP), haverá pretty pimpin nas margens do Coura. (quinta-feira, 13/08, palco Vodafone, 21h00);
4. Maruja – Depois dos cancelamentos em Coura e em nome próprio no ano passado, os Maruja estão a pagar-nos a dívida, com direito a juros. Depois de um concerto fenomenal no Lisboa Ao Vivo em Maio, os ingleses vêm agora abrilhantar o Alto Minho. Previsivelmente, teremos direito a todo um frenético cerimonial jazzpostpunkcore (ou coisa que o valha), com loas profundas à paz mundial e à guerra alegre no pit. (sexta-feira, 14/08, palco Coura Sem Paredes, 02h00)
5. Prostitute – Do turbilhão político e religioso que nos entra pelos olhos adentro há quem decida fazer umas malhas, editar uns álbuns e fazer uns concertos. Nada de novo, sobretudo desde setentas e do estabelecimento definitivo do punk, mas os Prostitute e seu Attempted Martyr divergem dos dois tempos e atravessam a fronteira do noise e da agressividade como se fossem uns Wire ou The Fall com esteróides ou uns Swans com canções com um quinto da duração. Vindos da tradição do Michigan com tudo o que tenha “punk” na designação (relembremos os Protomartyr ali mesmo há dois anos) para a tradição de Coura, o elo é mesmo a porrada. (sábado, 15/08, Coura Sem Paredes, 23h45);
6. Ryan Davis & The Roadhouse Band – Nome de luxo do cartaz, o estreante Ryan Davis vem mostrar o porquê de ser um dos mais interessantes nomes emergentes em matéria de cantautores norte-americanos dos últimos anos. Antigo membro de State Champion, lançou no ano passado New Threats from the Soul, disco fabuloso e presença óbvia na lista dos melhores registos de 2025. Tal como MJ “Mário Jorge” Lenderman no ano passado, o seu edificado sónico provém desse glorioso cruzamento entre o rock dito alternativo e a country e, tal como Lenderman, deixa-nos as expectativas em altas. (sexta-feira, 14/08, palco Coura Sem Paredes, 19h55);
7. Sérgio & Os Assessores com Amigos – Porque Coura já é um festival veterano, nada como ir buscar um nome maior da música nacional do último meio século como Sérgio Godinho para uma consagração mútua. Desde um refrão emblemático que simplesmente ditou “a paz, o pão, habitação, saúde, educação” que se foi construindo uma carreira estruturante da música nacional, aqui acompanhada de amigos e colaboradores. Quiçá a maior celebração desta edição (pelo menos dentro do recinto), será igualmente um momento formativo para muitos – e talvez o primeiro dia do resto das suas vidas. (sexta-feira, 14/08, palco Vodafone, 18h40);
8. Terraplana – De Curitiba para Coura vem um segredo shoegaze que deixou de ser muito bem guardado chamado terraplana. Já vinham prometendo muito desde Olhar pra Trás, disco de estreia editado em 2023, e com o excelente Natural (2025) confirmam o seu lugar no topo do actual firmamento do onírico e do ruído. Afigura-se que as melhores tradições da combinação distorção-Couraíso (relembre-se os DIIV no ano passado) serão cumpridas pelos curitibanos. O Brasil que dá (mesmo muito) certo. (sexta-feira, 14/08, palco Coura Sem Paredes, 21h55);
9. Underworld – Se há nomes da música popular ocidental que merecem uma consagração no anfiteatro natural minhoto, os Underworld são um deles. De históricos a lendários, valem todos os adjectivos para descrever a dupla nos últimos trinta e tal anos; melhor ainda, continuam incríveis ao vivo, pelo que não se espera menos do que um festão de arromba em Coura. Se um Presidente da República proclamou, em tempos, que há mais vida para além do défice, nós proclamamos que há (bem) mais vida para além de Born Slippy. NUXX. (quinta-feira, 13/08, palco Vodafone, 01h30);
10. University – Nascidos durante a pandemia, os ingleses contam com Minutemen, Hella, Unwound e Braid na sua carga viral sónica, bem patente no disco de estreia, McCartney, It’ll Be OK, editado no ano passado. Para além das óptimas referências sonoras, o dadaísmo das letras do quarteto só reforça o caos e é precisamente um pandemónio histórico que se quer numa madrugada pós-eclipse. As piadolas sobre a vida académica seguem dentro de momentos. (quarta-feira, 12/08, palco Coura Sem Paredes, 04h00).
Também com interesse: Aldous Harding (quinta-feira, 13/08, Vodafone, 19h00); Amyl and the Sniffers (sábado, 15/08, Vodafone, 00h35); Benjamin Clementine (sexta-feira, 14/08, palco Vodafone, 20h40); Bloc Party (sexta-feira, 14/08, Vodafone, 22h45); Dame Area (sábado, 15/08, Coura Sem Paredes, 01h35); Friko (quinta-feira, 13/08, Coura Sem Paredes, 20h00); Getdown Services (quarta-feira, 12/08, Coura Sem Paredes, 02h40); Greg Freeman (quarta-feira, 12/08, Coura Sem Paredes, 18h25); Hermanos Gutiérrez (quinta-feira, 13/08, palco Vodafone, 23h15); Hetta do Montijo (09/08, Sobe à Vila, 00h30); Horsegirl (quarta-feira, 12/08, Coura Sem Paredes, 20h15); Hudson Freeman (sexta-feira, 15/08, Coura Sem Paredes, 18h10); Joy Orbison (sexta-feira, 14/08, Coura Sem Paredes, 03h25); Marie Davidson (formato DJ set; sábado, 15/08, Coura Sem Paredes, 02h50); Meute (sábado, 15/08, palco Vodafone, 20h45); Pale Jay (quinta-feira, 13/08, Coura Sem Paredes, 22h15); Patrick Watson (formato piano solo; sábado, 17/08, Vodafone, 17h10); Show Me The Body (quinta-feira, 13/08, Coura Sem Paredes, 02h45); The Horrors (quarta-feira, 12/08, Coura Sem Paredes, 00h20); Thundercat (sábado, 15/08, Vodafone, 22h45); Westside Cowboy (quarta-feira, 12/08, Vodafone, 17h25); Wet Leg (quarta-feira, 12/08, Vodafone, 23h05); Wu Lyf (quinta-feira, 13/08, Coura Sem Paredes, 00h30).
Enquanto não chega a próxima edição, fiquem com uma recapitulação de 2025. Mais informações e bilhetes ali dentro.