A espera não foi longa, podemos dizer que foi uma fenda temporal regular. Já o disco que chega, esse sim é muito breve. A forma como os Shadowmare regressam com um álbum que podia ser um EP, algo que não é hábito seu, podia ser uma prova de bravura. Ou então, intitulado “Transfiguration”, é uma exclamação assertiva de que estão cá e a dizer-nos como estão cá. Soa mais a isso.
Uma coisa que pode acontecer para encurtar a duração de um álbum é encurtar as próprias canções. De facto já temos poucas. Mas é uma boa sugestão, já que a forma acelerada e despachada como estes temas se movem confirmam um passo evolutivo na sonoridade da banda. Vêm muito mais directos. E, com isso, também parece que vêm mais brutos ainda, sem que lhes faltasse antes alguma coisa nesse departamento. O que também nos garantem com essa abordagem in-your-face é que não devem planear deixar que muito filler venha para aqui ocupar espaço. Só se for ali a faixa-título, aquele interlúdio. Alto! Não é um interlúdio! Aprontam mesmo a castanhada toda naqueles 44 sinfónicos (!!) segundos. Já diz muito sobre a atitude que se encontra no álbum.
Os ajustes adequam-se a uma transição na própria banda, já que tratam da sua demolição agora com um membro a menos. E parece que meteram na cabeça que não iam deixar que menos um a fazer barulho os suavizasse, e então intensificaram-se mais ainda. Esse acelerar será o principal ponto de inovação, já que trata muito bem coisas familiares como o seu thrash técnico (não há cá auto-indulgências, mas se as músicas são tão rápidas, então os solos de guitarra vão ser a loucura), com atitude hardcore, e alguns esteróides de death metal injectados, tudo berrado com o familiar estilo vocal que até já encontra por cá algumas referências comparativas como Revolution Within. Os “novos” Shadomare parecem aprovadíssimos, com este “Transfiguration” muito fácil de se ouvir. E não é só pela curta duração.