Morbid Death – Veil of Ashes

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Death metal melódico
Editora Firecum Records, Museu Heavy Metal Açoriano
Destaques Evil Remains, Hole Worm, Souls of Trauma
Morbid Death – Veil of Ashes
7.5/10

Está ali isolada e, por isso mesmo, a sofrer com passar despercebida, mas já tivemos imensas provas de que existe uma cena riquíssima nas nossas ilhas, aqui particularmente falando dos Açores. E, com esta necessidade de termos sempre alguém na frente, a liderar, até é seguro entregarmos esse posto aos Morbid Death. Fizeram abanar o arquipélago há mais de três décadas e deixaram a marca, há 27 anos atrás, com um “Echoes of Solitude” que redefiniu regras da música extrema e gótica. E agora agradecemos o legado e ficamos aqui a desfrutar dele.

Pelo menos estávamos já conformados com isso. Já se preparava o concerto final, já andávamos a revisitar o clássico, a preparar a despedida e a homenagem, quando chegaram à conclusão (o mentor Ricardo Santos chegou, pelo menos) de que havia muito gás no tanque e, dando um jeitinho ao alinhamento (mudando-o completamente), dava para cancelar o fim da banda. E mesmo a sério, com disco novo e tudo. “Veil of Ashes” é um disco de reconstrução, tanto da banda como a nível estilístico. É que “Oxygen”, de 2020, até podia ser um disco jeitoso, manter ainda o peso no sítio, mas parecia estar a afastar-se da origem. “Veil of Ashes” deixa qualquer amostra de acessibilidade para trás e recupera um peso que, talvez nem no “Echoes of Solitude” se sentisse. Até o gótico descansa, para um registo conduzido por death metal, de vertente mais melódica.

Talvez inspirados pelo recente período de dúvida, deu para se encherem de cólera para um disco mais pesado, igualmente ligado a todos os seus antecessores. Uma banda nova, mas sem parecer tanto isso. Uma banda rejuvenescida, isso sim. A energia confirma-se logo com aquele riff melodeath que abre as hostes em “Evil Remains”, e com essas mesmas guitarras a tomar a posição frontal com riffs, ora mais com essa constituição, ora mais crus e densos. E ainda cabem uns solos virtuosos e umas introduções meias à Iron Maiden, com um twist, como a de “Fallen Future”, para enriquecer um disco que reinventa uma banda, mas não propriamente um estilo. Desperta muito a curiosidade sobre o futuro dos renovados Morbid Death, eles que lançaram um de dois discos muito próximos vindos dos Açores com “Ashes” no título, e que possam realmente simbolizar um renascimento das cinzas. Uma maravilha de lugar, aquelas ilhas, têm mesmo que andar mais atentos.


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