A Dream of Poe – Katabasis: A Marriage Among Ashes

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Doom metal gótico
Editora Meuse Music Records
Destaques The Lament of Phaethon, Exhorting Nightmares, À Medida de Damastes
A Dream of Poe – Katabasis: A Marriage Among Ashes
7.5/10

A melancolia foi sempre o prato diário dos A Dream of Poe, projecto açoriano que domina o gótico melódico e soturno, mas o caminho para “Katabasis: A Marriage Among Ashes” foi tão conturbado, que têm que existir mais camadas emocionais sobre a música. Um trabalho que precisou de ser recomeçado quase do zero, devido a um trágico incêndio, e mais algumas encrencas para as quais não conseguem uma explicação satisfatória, que os deixou sem o material que já tinham pronto.

Isso até podia motivar fúria e termos aqui o álbum mais raivoso de A Dream of Poe, mas é como se respirassem fundo e se lembrassem de quem são e da sua essência. E “Katabasis” passa a ser um álbum de superação. E leva-nos a território familiar, já que o estilo está bastante estabelecido. Há conforto nas melodias mais dóceis, e nos leves riffs a funcionar como aquela primeira chuva de uma tarde cinzenta, que bate nos vidros (quando o riff fortalece e o peso irrompe, é que se pode considerar que ela já caia bem). A entrada de “The Lament of Phaethon”, por exemplo, leva-nos directamente para o “The Mirror of Deliverance”, como se pudesse já lá estar, e até a total submissão à língua portuguesa, aqui em “À Medida de Damastes”, começa a tornar-se um hábito, uma assinatura.

Katabasis” pode não ser o disco indicado para quem procure novidades ou surpresas. Mas é para quem já sabe que a fórmula dos A Dream of Poe não falhou quando primeiramente a estabeleceram, e continua tão forte agora. Talvez “Exhorting Nightmares” seja do mais negro, intenso e ambicioso que tenham escrito, mas também é feito com a fórmula que aqui reforçam que está mais do que estabelecida. “Katabasis: A Marriage Among Ashes” é disco de estabelecimento e de consagração. E, sem dúvida, de tremenda resiliência, não esqueçamos.


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