Não abundam bandas do metal mais progressivo por cá, assim ao pontapé, pelo menos que dê para já ter havido uma saturação e existirem muitas a soar iguais a outras. Mesmo que existissem mais, os Hourswill já teriam evitado cair nisso. Para “Ensemble”, tivemos a maior espera entre discos. Algo de muito grandioso que estariam aí a preparar?
A razão até pode nem ter sido essa, mas até se justificava. Só a passar os olhos, antes de realmente levar lá o ouvido, damos logo de caras com um tema de 23 minutos ali, logo ao início, a impor respeito. Até nos distrai da curiosidade de haver um título em cada língua. Já sugere que “Ensemble” vem mesmo para ser o seu trabalho mais ambicioso. Confirma-se. Muito de “Ensemble” se explica só nessa “Le Radeau de la Méduse” e todas as diferentes fases, diferentes atmosferas, diferentes disposições e até diferentes passagens estilísticas resume o disco. Ou como quem diz que já estaria um disco completo nessa faixa, e ainda falta o resto. E o resto não está lá para encher a “track list”, desenganem-se. Continua a sua marca de metal melódico progressivo, complexo quando tem que ser, mais simples e acessível quando beneficia disso. Por exemplo, “Gehenna” é uma chave-de-ouro longa que fecha com a mesma vontade com que abre o disco; “Unheilvoll” é praticamente um tema de heavy metal da década de 80 com um toque moderno.
É difícil destacar algum elemento, seja o instrumental complexo sem ser exibicionista, a instrumentação menos usual que acompanha os temas e lhes acrescenta atmosfera, trazendo variados tipos de “world music” para a equação, ou a voz de Leonel Silva, que traz mais Iron Maiden ou Queensrÿche para aqui. Quando há um épico como a supracitada “Le Radeau de la Méduse”, uma melodia mais entranhável como a de “Depressione Anaclitica” e até um lado bem mais emocional no retratamento do clássico “O que a Vida Me Deu”, temos um disco completo e impressionante pela variedade. Esperamos mais tempo, mas esperamos pelo melhor disco dos Hourswill.