Quando Nirvanna the Band the Show the Movie estreou, o debate de nicho em torno do filme e de Matt Johnson pouco se refletiu na bilheteira. Ainda assim, o vincado entusiasmo de parte do público contribuiu para alimentar a curiosidade pelo trabalho seguinte do cineasta canadiano, que agora surpreende com uma obra mais próxima da conceção tradicional do coming-of-age, inspirada no verão de 1975 de Anthony Bourdain, muito antes de este se afirmar como chefe e escritor.
Com argumento do próprio Johnson e contributos de Matthew Miller, Todd Bartels e Lou Howe, Tony reúne um conjunto muito particular de qualidades que o tornam bem mais do que meramente aprazível, apesar de algumas insuficiências. A começar por Dominic Sessa, que impressionou em 2023 ao protagonizar o clássico instantâneo The Holdovers e regressa com uma interpretação reminescente, tanto no estilo como no carisma. A desenvoltura com que encarna a arrogância juvenil de Bourdain, deixando transparecer a insegurança que esta procura disfarçar, constitui um dos principais pontos atrativos de uma história que encontra também em Antonio Banderas um excelente contraponto.
É, aliás, através da relação entre ambos e na representação do tão badalado ambiente caótico das cozinhas que o enredo reúne o vigor necessário para contrariar a respetiva previsibilidade. Embora nem sempre consiga conferir a mesma substância aos diferentes momentos da narrativa, Matt Johnson revela sensibilidade para o retrato das pequenas experiências que moldam uma vocação, oferecendo ainda humor e espontaneidade suficientes para fazer de Tony uma experiência cinematográfica genuinamente cativante.