Power Rangers

por Jose Santiago

Power Rangers é um filme que se destaca de todas as outras aventuras com jovens-adultos normalmente associadas à palavra "saga"

Título Português Power Rangers
Ano 2017
Realizador Dean Israelite
Elenco Dacre Montgomery, Naomi Scott, RJ Cyler, Ludi Lin, Becky G.
País EUA, Canadá
Duração 124min
Género Acção, Aventura
Power Rangers
6.5/10

Angel Grove é uma pequena cidade rural nos Estados Unidos, aparentemente pacífica e sem nada de notável. Tudo isso muda quando cinco estudantes de liceu, por razões que só o destino pode explicar, encontram uma nave espacial perdida no meio de uma mina de ouro. É também nesse local que encontram cinco medalhões que lhes conferem poderes sobre-humanos. Agora, com a ajuda de um extra-terrestre chamado Zordon e do seu ajudante robot, são incumbidos da tarefa de salvar o planeta de uma vilã acabadinha de acordar, o seu nome: Rita Repulsa.

Este é o reboot cinematográfico da saga Mighty Morphin Power Rangers, uma série de televisão que fez as delícias do público mais jovem na década de 1990 e que gerou um franchise que ainda hoje predura. O responsável por este fenómeno é Haim Saban, um produtor americano que decidiu pegar na série japonesa Super Sentai, retirar só as cenas de luta com os heróis mascarados e juntar-lhe novas cenas com actores americanos. O resto é história. Uma série semanal onde um grupo de jovens, para além de ter de lidar com a vida quotidiana num liceu americano, tinha também de enfrentar uma ameaça intergaláctica. É importante referir que cada Ranger está adjudicado a um robot gigante chamado Zord que, quando acopulado aos seus comparsas, se transforma num robot ainda mais gigante chamado Megazord, a única arma capaz de destruir o monstro escalado para a aventura semanal.

Depois de Mighty Morphin Power Rangers – The Movie Turbo – A Power Rangers Movie, assistimos aqui a uma versão mais madura e desencantada do que estamos acostumados a ver. Não quer dizer que seja um filme adulto, mas é um filme com mais pontos de contacto com a geração que pretende atingir do que os seus precedentes. O tema da diversidade está sempre presente mas não soa a forçado e consegue integrar-se da melhor maneira na trama. Os Power Rangers são de etnias e sexos diferentes, um deles autista e outro homossexual – tudo ajuda ao tema “Juntos somos mais”, uma mensagem irrepreensível para o filme que é. As personagens são bem construídas, há menções descaradas à improbabilidade das situações e as cenas de acção são divertidas. Um factor importante no sucesso desta produção é o respeito pelo material de origem e por quem cresceu com ele, tudo sem alienar os recém-chegados. É impossível não sorrir quando, a meio de uma batalha ouvimos “Go Go Power Rangers!”.

Mas não é possível ser brando com tudo. O filme tem poucas falhas, mas são fulcrais para se tornar num filme apenas com poucos pontos acima da média aventura teenager com que somos constantemente bombardeados. Não é que os efeitos especiais sejam maus, mas há claros erros de design, especialmente com o Megazord em questão e o mostro que defronta. O primeiro é suposto ser uma amalgama dos veículos de cada um, mas em vez de assistirmos à transformação, esta é escondida por uma explosão e aquilo que vemos a seguir é um robot que não tem quaisquer parecenças com a peças que supostamente o constituem. Já o monstro, que na série é uma personagem que fala e com uma personalidade definida, aqui é só uma amalgama de ouro com um aspecto humanóide que nem cara tem. Podem parecer falhas mínimas, mas ajudam a que a experiência não passe como completa e até meio atabalhoada. Talvez o argumento rejeitado de Max Landis (Chronicle, American Ultra) servisse melhor para corrigir tudo isto.

Uma boa surpresa é a escolha do elenco. Tudo nomes desconhecidos, mas com uma prestação mais do que competente e capaz de nos fazer acreditar na história e na interacção que são forçados a ter. Elizabeth Banks foi claramente a actriz que mais se divertiu durante a rodagem e nota-se. Completamente exagerada e extravagante no papel de Rita Repulsa, mantendo a natureza da personagem original e ao mesmo tempo conferindo-lhe um cariz muito mais ameaçador, em consonância com o tom geral do filme. Infelizmente não há maneira de julgar a performance de Bryan Cranston. Ele não é novo a este universo, tendo já dado voz a algumas personagens da série, mas aqui aparece (maioritariamente) como uma parede que fala e a tradução digital da cara do actor não é a melhor. Imaginem uma parede de alfinetes que assume o relevo da face, é exactamente isso que vemos no ecrã.

Em suma, Power Rangers é um filme que se destaca de todas as outras aventuras com jovens-adultos normalmente associadas à palavra “saga”. Não é demasiado negro, como todo o reboot insiste em ser, e por isso torna-se mais sincero para com o público que pretende atingir. Não é memorável, mas é divertimento inofensivo e genuinamente bem intencionado.


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