American Animals

por Isabel Leirós

American Animals prima pela forma diferenciada como aborda uma história que até nem é nova, mas que nos chega agora com muita frescura.

Título Português American Animals
Ano 2018
Realizador Bart Layton
Elenco Evan Peters, Barry Keoghan, Blake Jenner, Jared Abrahamson
País E.U.A.
Duração 116min
Género Drama
American Animals
8/10

American Animals é, de certa forma, um filme coming of age. Dois amigos em fim de adolescência sentem-se desinspirados, desprovidos de objectivo maior para as suas existências, em busca daquele momento em que – supostamente – se dá o clique e tudo começa a fazer sentido. Um estudante de arte e um atleta de uma pequena cidade, protagonizam o filme e uma improvável amizade. Juntam-se ao gangue dois overachievers. O golpe? Levar a cabo um dos maiores roubos da história norte-americana, apesar da sua inexistente experiência em tal indústria.

Baseado em factos verídicos, o Bart Layton consegue magistralmente conjugar dois géneros no mesmo filme: uma encenação dos eventos reais, pincelados com depoimentos dos rapazes cuja história é contada. Como em qualquer situação mais mundana, claro está que o conceito de “eventos reais” é relativo, pois muito varia em função da memória do narrador. E é por isso que o recurso aos verdadeiros autores do assalto se torna uma peça essencial do puzzle. Quem teve ideia? Quem convenceu quem? E o que realmente aconteceu?

Depois de meses a planear e a ensaiar o golpe, eis que chega a hora da verdade: roubar livros raros e muito, muito caros; com o puro propósito de venda. Depois do crime, chega a culpa, o remorso, a instabilidade, o mal estar generalizado – típico de marinheiros em primeira viagem.

Do elenco destacam-se os dois protagonistas, pois claro. Barry Keoghan vai sempre bem no papel de psicopata borderline, já o tinha demonstrado em The killing of a sacred deer (Yorgos Lanthimos, 2017). Evan Peters finalmente encontrou um papel que lhe permite brilhar para um público mais adulto: é Quicksilver nos filmes X-Men e um dos rostos da série American Horror Story.

Não é um filme ambicioso, mas ainda assim um filme que merece o nosso carinho e atenção. E da Academia, de quem se espera – pelo menos – uma nomeação ao Óscar pelo argumento. Com bom ritmo, uma fotografia e estética muito prazerosas, emotivo e emocionante, prima pela forma diferenciada como aborda uma história que até nem é nova, mas que nos chega agora com muita frescura.


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