Brief Encounter

por Jorge De Almeida

Uma magnífica obra a prima que se mantêm actual e que não será difícil de comparar com filmes como “Before Sunrise”, de 1995 ou “ Lost In Translation”, 2003, apesar da ponte de tempo que os separa.

Título Português Breve Encontro
Ano 1945
Realizador David Lean
Elenco Celia Johnson, Trevor Howard, Stanley Holloway
País Reino Unido
Duração 86min
Género Romance, drama
Brief Encounter
8/10

“Brief Encounter”, de David Lean, é uma cápsula perfeita da alteração dos valores sociais do pós-guerra. Enfatizando o desviar dos valores morais tradicionais e os efeitos que tiveram na consciência feminina, David Lean cria um dos romances mais apaixonantes do cinema clássico.

O segredo de “Brief Encounter”, em relação aos seus contemporâneos, é que, enquanto romance, surge nos dias de hoje como perfeitamente actual. O par romântico não surge como o típico “over the top”, “ vamos gritar ao mundo que nos amamos” casal apaixonado, nem tão pouco os sentimentos surgem de um momento para o outro só porque “ele” faz algo de perfeitamente espectacular e “ela” não tem, senão a escolha de ficar apatetadamente apaixonada. Não há vilões, adversidades de maior, nem beijos tórridos enquanto rolam os créditos. E, no entanto, é palpável a intensidade com que se querem.

Laura  (Celia Johnson) conhece o Dr. Alec Harvey (Trevor Howard) num pequeno café da estação de caminhos-de-ferro de Milford. Ela, uma dona de casa aparentemente feliz e satisfeita, ele, um médico no hospital local. Vivem em destinos opostos em relação à estação de Milford, mas todas as terças é aí que os seus caminhos se cruzam. Primeiro por meras casualidades, mas rapidamente começam a fazer planos para a próxima terça que passem juntos. Nasce assim, ainda que com contornos platónicos, a relação amorosa entre os dois. O que seria perfeitamente inocente não fossem ambos casados.

O filme foca a forma como Laura tenta lidar com a ambiguidade de sentimentos que a assolam enquanto mulher adúltera. Sobre o quão vale a sua felicidade por oposição à censura social de que iria ser vítima e ao sofrimento que causaria a terceiros.

É de salientar que ambos, por medo de magoar o respectivo cônjuge, mantêm-nos ignorantes do seu caso e tentam manter o seu relacionamento o mais discreto possível. Quando o par se está prestes a despedir-se por uma última vez, cai vitima da sua intenção de manter as aparências, ao encontrar-se com uma conhecida de Laura que gora o seu último momento juntos. Não se preocupem com “spoilers” que o filme começa justamente por este momento.

“Brief Encounter” é arquetípico  do que deve ser um filme romântico. Atestado pelo carimbo de nomeação para Óscar, não cede aos clichés de romances auto-indulgentes e cria personagens, magnificamente interpretadas, com as quais nos conseguimos relacionar e identificar sem que tenhamos que ser algum tipo de herói ou rebelde com coração de ouro.

Uma magnífica obra a prima que se mantêm actual e que não será difícil de comparar com filmes como “Before Sunrise”, de 1995, ou “ Lost In Translation”, 2003, apesar da ponte de tempo que os separa.


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