Westworld e o fim violento

por Isabel Leirós em 7 Dezembro, 2016 © HBO

O regresso de Westworld em formato série e com o carimbo HBO, encheu de ânsias os corações que batem forte pelo sci-fi distópico. Levou-nos de volta ao delicioso mundo de cowboys, onde ninguém hesita na hora de sacar o revolve.

Uma breve apresentação: Westworld é uma espécie de parque de diversões para a elite, em que os hóspedes emergem na vida do “faroeste” e interagem com bots realistas. Tudo isto fruto do génio de Dr. Ford (Anthony Hopkins) e do seu parceiro Bernard – que acabamos por descobrir que, afinal, também é um bot e uma réplica fiel do sócio-fundador falecido.

A primeira temporada da série faz-se de 10 episódios, e este foi o seu primeiro e principal erro: uma narrativa lenta e espremida em detalhes novelescos que deveria ter sido condensada em 6 episódios apenas. Assistimos aos dramas existenciais de Dolores (Evan Rachel Wood), ao “acordar” de Maeve (Thandie Newton), e à construção da personagem de Ed Harris, o homem de negro que assombra Westworld. Tudo contado a um ritmo muito, muito, muito lento e recheado de detalhes muito, muito, muito desnecessários.

Contudo, o derradeiro episódio lá nos recorda porque começámos a seguir a série, restaura a esperança perdida desde início, e desenrola o novelo das revelações:

  • Afinal, o loop permanente de Dolores era uma metáfora para a tomada de consciência,
  • Confirmou-se que estávamos perante múltiplas linhas temporais,
  • A origem d’o homem de negro lá foi explicada (explicação fraquinha, fraquinha),
  • O Dr. Ford foi o último a rir,
  • A Maeve abriu uma porta de saída (por livre e espontânea vontade?) mas optou por permanecer.

Há muitas questões que ficam por responder, contudo. Suponho que seja caminho a explorar na próxima temporada…

Gostei particularmente do desenvolvimento inesperado da personagem de Maeve. A certa altura ela grita a Bernard que a fuga foi sua ideia, quando ele a confrontou com a possibilidade de ter sido uma ideia implantada na sua storyline. Terá sido programada para esta decisão? Estaria Dr. Ford a testar um novo tipo de inteligência?

Pois bem. A série despediu-se em grande e com um grande serviço de justiça. Ao longo dos episódios, vamos ouvindo “these violent delights have violent ends” e isto é algo que Dr. Ford recorda ao conselho de administração de Westworld na despedida, ou não estivessem num parque de diversões para adultos em que a morte e o abuso é o prato do dia. Segue-se a fabulosa morte de Dr. Ford e a chacina de todos os presentes pelas armas de todos os bots do complexo.

Será que Dr. Ford morreu? Ou terá criado um robô à sua semelhança? E quanto aos restantes bots, ganharam consciência ou estarão a ser devidamente coordenados? E aqueles novos samurais em treinos?

São questões que ficam no ar e que espero ver respondidas em 2018, na próxima temporada. Durante o tempo de espera, pondero escrever aos produtores e pedir, encarecidamente, que acelerem o passo. Caso contrário, simplesmente irei optar por ver o primeiro e últimos episódios.


sobre o autor

Isabel Leirós

“Oh, there is thunder in our hearts” – Fernando Pessoa

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