Reportagem


The Gift

Um altar como presente

Coliseu dos Recreios

03/03/2018


© Hans Peter

A passada noite de sábado viu os The Gift subirem ao palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e apesar de ser o aniversário do lançamento de “Explode” (como Nuno Gonçalves fez questão de lembrar ao parar abruptamente o início de “Race is Long“) o mote foi a apresentação de “Altar“, álbum editado no final 2017.

Os primeiros vinte minutos foram mesmo estritamente dedicados ao novo álbum e músicas como “Big Fish” ou “I Loved It all” mostram já estar bem ensaiadas pelos fãs da banda, tanto que “Big Fish” e “Malifest” geraram muitos pulos e dança.

Foi passado estes cerca de vinte minutos que a banda de Alcobaça entrou numa espiral de retrospectiva em que visitaram o trabalho dos já 23 anos de carreira, usando expressões como “banda veterana” ou “dinossauros” para se apelidar a si próprios. Tudo em tom bem disposto.

No meio desta espiral deu igualmente tempo para encaixar um ou outro tema novo, como foi o caso de “Love Without Violins“, single que apresentou o mais recente álbum e que conta com a colaboração de Brian Eno.

Esta fez-se acompanhar por músicas como “Driving You Slow“, “Doctor“, “RGB” ou a já muito velhinha “Ok! Do You Want Something Simple?” música que lançou os The Gift para a ribalta em 1998 e que foi introduzida com uma explicação dos motivos que levaram a que a canção fosse escrita, como que um grito de revolta da banda às respostas que tinha tido anteriormente das várias rádios nacionais a quem tinham tentado entregar singles anteriores.

Os dois encores mostraram-nos “Music“, que levou o público a um êxtase, e as mais românticas cantadas em português, “Primavera” e “Fácil de Entender“, a última num momento bastante íntimo com Sónia e Nuno a solo no palco, sentados e com um pequeno piano.

Os já 23 anos que a banda leva podiam mostrar algum cansaço, mas longe disso! Os The Gift tornaram-se exímios na arte de escrever e tocar canções, com uma presença em palco como se da sua casa se tratasse. Para além de tudo mais a voz de Sónia Tavares continua impressionante, com um alcance vocal de deixar inveja a muitos grandes cantores internacionais e sem necessidade de ser mais contida para a manter.

Será bem provável continuarmos a ver os The Gift a continuarem a encher grandes palcos nacionais e internacionais por uns bons anos mais.


sobre o autor

Joao Neves

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