Wolves in the Throne Room – Primordial Arcana

por Christopher Monteiro
Ano 2021
Estilos Black metal atmosférico
Editora Century Media Records
Destaques Mountain Magick, Spirit of Lightning, Masters of Rain and Storm
Wolves in the Throne Room – Primordial Arcana
8/10

Black metal, década de 90, Noruega. São as palavras-chave que andam sempre juntas. Se olharmos além da limitação temporal e quisermos trazer o black metal para o presente milénio, também há uma deslocação e vamos para a América do Norte, uma se calhar improvável catadupa de black metal atmosférico e com proximidade e adoração à natureza. Bem ali no Norte dos Estados Unidos, no estado de Washington, onde reina o briol, nasceu um dos maiores e principais expoentes desse black metal: os Wolves in the Throne Room que, com quase vinte anos de carreira completos e “Primordial Arcana” a ser já o sétimo longa-duração, têm lá ainda coisa alguma a provar.

Sempre capazes de fazer os seus discos diferir, vindos de uma trilogia inicial de black metal ambiental, capazes de despir a parte extrema para o estritamente ambiental e radical “Celestite,” e servindo-se do folk para também recuperar uma agressividade que até nem tinham antes, em “Thrice Woven.” “Primordial Arcana” mantém o mesmo fio condutor e sublinha a forma como os Wolves in the Throne Room lideram – ou co-lideram, se não deixarmos de lado a igual influência dos vizinhos estatais Agalloch – este gélido black metal montanhoso e florestal. Tanto ou mais orgânicos como sempre, com a natureza à sua volta – literalmente num estúdio ali no meio do matagal – a deixar inspirar tudo o que se ouve, do mais extremo, ao pacífico ambiental. Minimizam qualquer artimanha que lhes pudesse “purificar” o som, num mau sentido, para um resultado cru, honesto e tão belo quanto as paisagens que invoca. E não confundir isso com arranjar, propositadamente, do pior material, para soar horrível só porque é extremamente trve. Façam-se as devidas distinções.

Primordial Arcana” é mais um álbum onde a mística se mantém intocável, mesmo que se sinta diferente daquela dos antigos discos. Nova ênfase é dada à folk – “Spirit of Lightning” – e outros elementos sinfónicos subtis e até mesmo a outros usos de sintetizadores ambientais se recorre – não se admirem se virem por aí o termo “dungeon synth” atribuído a algumas das passagens deste disco, e “Underworld Aurora” ou a página final que é “Eostre” retirarão quaisquer dúvidas em relação a isso. A agressividade norueguesa também não se perde – e pode tomar-se “Through Eternal Fields” como exemplo de tema sem grandes rodeios – e sai mais um disco de se desfrutar com atenção, de descobrir coisas novas por entre a densa floresta a cada audição. O Inverno chegou mais cedo.


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