Wolves in the Throne Room – Estuary

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Black metal atmosférico
Editora Relapse Records, Century Media Records
Destaques Knights of Tiamat, Foretold in Reflections, Ghosts Among the Obelisks
Wolves in the Throne Room – Estuary
8.5/10

Continuam a estar na capa do manual do black metal atmosférico, os Wolves in the Throne Room, e isso traz um fardo para carregar. Porque cada novo álbum (até mesmo quando cometem a descarada ousadia de fazer um disco ambiental) vira logo obra-prima e já aumenta a pressão para que o seguinte o volte a ser. “Estuary” torna a consegui-lo de forma surpreendente: através da redução de coisas.

Não é que os Wolves in the Throne Room fossem daquelas bandas excessivamente experimentais, mas nunca foram usuais, sempre trocaram algumas voltas nas suas estruturas, sempre acrescentaram outros elementos instrumentais, ambientais e folclóricos, para dar sempre roupagens diferentes aos seus temas. E “Estuary” ainda não é propriamente banal, continua o hábito da banda de pintar belas paisagens para lhe acrescentar a camada de negrume por cima. Mas aqui a paisagem, à partida, já parece mais sombria. E todo o processo mais cru. Habituados a trazer o gelo do estado de Washington para mostrar que dá para haver outro forte berço disto fora do velho continente, abrem este disco com uma faixa-título que será do black metal mais puro e cru que já terão feito. E é algo que nos saltará ao ouvido ao longo de todo o disco, que nos surpreenderá no violento assalto de “The Orca Cliffs”, mesmo que não se evitem as influências exteriores na mesma.

Um doom quase gótico paira sobre a chuvosa “Knights of Tiamat”, e tocam sinos que parecem avisar o apocalipse na catártica “Foretold in Reflections”. Os elementos são mais subtis (“Ghosts Among the Obelisks” também atinge ali algum ponto extradimensional, com algumas influências improváveis), mas também não se limita a ser apenas black metal no estado mais simples (“Wretched Spirits, Land of the Light” até importa riffs e tremolos da Noruega, mas até são capazes de vir com a etiqueta “Emperor”). E a temática pós-apocalíptica, da Natureza a retomar posse da Terra após um culminar auto-destrutivo da tecnologia pode parecer um cliché, mas nas mãos dos Wolves in the Throne Room, acaba por ser adequadíssimo e familiar. Se ficarão saudades de algumas excentricidades, passagens de dungeon synth, ou instrumentalizações mais fora da caixa, pode ser que regressem no próximo. “Estuary” veio das entranhas e é com as nossas que pretende mexer. Até contidos, os Wolves in the Throne Room são uma banda cheia de truques.


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