Venom – Into Oblivion

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Heavy/speed/black metal
Editora BMG Records
Destaques Lay Down Your Soul, Nevermore, Kicked Outta Hell
Venom – Into Oblivion
7.5/10

Temos mesmo que abrir com uma introdução sobre quem são os Venom? É assim tão provável que quem esteja desse lado do ecrã ouça música da mais pesada há dois dias? Pronto, o que dizer sobre a banda que, no auge da sua honesta crueza, decide chamar “Black Metal” a um disco e a uma canção e desencadear todo um subgénero que ainda dá tanta fruta, de todos os feitios e até de toda a qualidade, já a diferir bastante da sua origem? Temos a dizer que, mais de quarenta anos depois, aí andam, e têm “Into Oblivion”, um novo disco.

Mas também temos que admitir algumas coisas. Como, por exemplo, que têm ali alguns dos discos mais históricos de toda a música extrema, três clássicos incontornáveis, um quarto ainda bem forte e depois… Depois tem o resto. Se calhar só o fã mais acérrimo saberá logo quantos são e quais são. Parecem uma banda de legado que lançou ali os seus petardos nos 80s, retirou-se, e voltou a editar na última década. Mas não, andaram sempre aí, a não conseguir recriar o impacto dos primeiros. Escondem-se gemas nessa discografia, mas está mais à vista o alarme: quando se tornam uma banda muito influente, e têm muitas bandas a imitá-los, chega a um ponto que até eles próprios o tentam fazer. Mas “Into Oblivion” chega numa fase mais arrebitada dos Venom. Mais honesta, mais adaptada, menos preocupada em fazer um “Black Metal II” (ou um “Metal Black”!). E que, por acaso, até nem evita o modo throwback. Do mais descarado, quando intitulam uma música “Lay Down Your Souls” e completam, no refrão, para quem.

Portanto, os Venom estão a priorizar a diversão. Não esquecendo como se faz música pesada com a malícia de quem esteve sempre “in league with Satan”. E, com isso, continuam a fazer algo que finalmente perderam o medo e já têm vindo a fazer nos últimos álbuns: modernizar um pouco a sua sonoridade. Claramente não vale a pena estar colado às obras iniciais e, com a aceitação de que o metal extremo que conceberam já teve muitas mutações, já podem andar com o tempo, sem a necessidade de ir contra ele. Os clichés celebratórios podem estar lá e até o mais tongue-in-cheek roça o gozo (um título como “Metal Bloody Metal”, por exemplo), mas “Into Oblivion” já tem mais argumentos para não ficar perdido na discografia como tantos outros. Não vai para o pé dos clássicos, mas é bom estar novamente numa era em que os Venom editam bons discos.


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