Tori Amos – In Times of Dragons

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Art pop, Piano rock
Editora Fontana Records
Destaques Shush, St. Teresa, 23 Peaks
Tori Amos – In Times of Dragons
7.5/10

Com um “Ocean to Ocean” ainda a ecoar, e um livro infantil musicado pelo meio, Tori Amos vai mantendo sempre a presença. Sendo ela tudo menos esquecível, também pode ser para reforçar que aquela irreverência dos 90s pode já não ser bem igual, mas a Tori madura ainda tem muito para dizer. E “In Times of Dragons” parece marcar um regresso aos álbuns conceptuais, mesmo que um pouco mais discreto que, por exemplo, o ambicioso “American Doll Posse”.

Assenta-se na mesma numa estória de resistência contra tirania e abusos. Por aí, é muito simples e, dados os tempos, inevitável. E Tori pode já não ser provocadora da mesma forma que o era em juventude, mas ainda o sabe fazer. Por isso evita o modo “throwback” assim mais gratuito. Ela sabe bem que já não dá para fazer outro “Little Earthquakes” ou “Under the Pink”, nem é exactamente a mesma pessoa daqueles tempos, mas dá para lhes piscar o olho. Há coisas que remontam a esses tempos, algumas que pendem para as experiências da sua fase mais mista do “Abnormally Attracted to Sin”, muitas que recorram a arranjos clássicos que “aprendeu” na fase do “Night of Hunters” e do “Gold Dust”. E muito que até faça lembrar o ambiente e a atmosfera dos discos mais recentes da Kate Bush (como “Song of Sorrow“), que ela ainda será uma das suas principais musas. Dela e de muita gente. É bastante coeso, mas na mesma com muitos escapes estilísticos.

Estende-se por dezassete faixas e mais de uma hora e quinze minutos, e sofre um pouco com isso. Também já não é a primeira vez. Algumas músicas perdem-se. Especialmente pelo meio de dois pontos tão altos como é a pegajosa abertura de “Shush” ou a enorme surpresa quase pós-rock (ou quase Swans!) que é a atmosférica “23 Peaks”, que podia desencantar mais uma faceta musical sua. Mas Tori Amos continua a não se deixar estagnar. Com o piano ainda como melhor amigo, para uma mistura de composições muito simples com outras bem mais ambiciosas, “In Times of Dragons” é o trabalho a que chega uma cantautora madura, que nunca foi igual às outras, que tem alguns dos melhores discos de toda a década dos 90s, nem sempre reconhecidos como tal, mas que sabe em que tempo se encontra. Por muito longo e esticado que seja, ela consegue facilitar-nos sempre o “frete”.


Partilha com os teus amigos