The Pretty Reckless – Dear God

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Hard rock, Pós-grunge
Editora Fearless Records
Destaques Dear God, Devil in Disguise (Michelle’s Song), Dark Days
The Pretty Reckless – Dear God
7/10

Sempre que aparece algum novo acto de rock mais irreverente, sem apetrechos e modernices extra, fala-se logo em “recuperar” alguma coisa, usam-se vernáculos como “throwback” e, passado um tempo, corre-se o risco de esquecer e largar quem quer que esse desgraçado acto seja. Aí parece descartar-se o facto de Taylor Momsen e os seus The Pretty Reckless andarem a fazer precisamente isso há década e meia. Desatenção ou realmente a banda, mesmo sendo reconhecidíssima, nunca chegou a saltar para o topo?

Se calhar a ideia é essa, já que muito do núcleo da música da banda vem do perturbado psicológico de Taylor Momsen e das mazelas de ser uma ex-estrela infantil. Demasiado estrelato descontrolado agora também não devia fazer muito bem. Definitivamente afastada da menininha pequenina do “Grinch”, e já a interpretar a mulher mais louca e da “má vida” que é agora, vai usando os seus discos como representação daquilo que pode ser o seu próprio percurso. Que não se está a iluminar. Taylor vai mergulhando em escuridão cada vez mais densa de álbum para álbum, e agora para o novo “Dear God” até mergulha na religião à procura de respostas que saberá, à partida, que não as encontrará lá, tal é o cinismo com que o encara. Portanto o novo álbum de The Pretty Reckless é mais uma viagem introspectiva, de tons negros, com canções de rock simples e directo e com foco na grande voz de Taylor Momsen. O que se diz de cada álbum da banda, afinal.

A distinção, à primeira, não parece ser imediata. É o mesmo tratamento maduro a um pós-grunge bem carregado, talvez uma maior procura nos blues, sempre com diferentes variantes a cada canção: mais sleazy em “When I Wake Up”, a contrastar com a mais ambiciosa “Dear God”, uma mais upbeatAbout You”, ou até mesmo uma melancolia que não deixa de o ser mesmo sendo mais solarenga, intencionalmente bem à “Californication”, em “Rollercoaster of Life”. É baladeira quando tem que ser, e só quer rock ‘n’ roll quando se lembra que isso é um lema de vida. Pode-se questionar a pertinência das curtas e desordenadas “Life Evermore”, o pretensiosismo da vertente religiosa que o disco toma, e até se pode mesmo questionar a evolução da banda desde a estreia. Mas os talentos na escrita e execução de canções por parte de Momsen não, e aí notamos que, individualmente ou em conjunto, “Dear God” poderá ter alguns dos temas mais fortes no repertório The Pretty Reckless.


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