The Claypool Lennon Delirium – The Great Parrot-Ox and the Golden Egg of Empathy

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Rock progressivo/psicadélico
Editora ATO Records, Parrot-Ox Productions
Destaques Meat Machines, Heart of Chrome, The Golden Egg of Empathy
The Claypool Lennon Delirium – The Great Parrot-Ox and the Golden Egg of Empathy
8/10

Sigamos para a parada dos excêntricos que estampam os seus nomes na banda, para sabermos logo o que esperar. Les Claypool e Sean Ono Lennon a juntar forças mais uma vez, para uma rock opera vinda de outra dimensão mais louca que a nossa, com uma variedade quase interminável de música “progadélica”, termo que os próprios empregam, a desafiar parâmetros. Basicamente, o gajo dos Primus e o filho do John e da Yoko, caso isso não se explique sozinho para quem está mesmo muito desatento ainda.

Quem já conhece os dois discos anteriores, pode vir já com uma ideia prévia do que esperar. Quem ainda não conhece esta fusão, tem razão em atentar ao peso do nome “Lennon”, já que está bem presente, na voz e não só. Há muito Beatles por aqui, e se quiséssemos ser muito redutores e incompletos, até podíamos dizer que este “The Great Parrot-Ox and The Golden Egg of Empathy” (ah, rico título!) seria uma espécie de “Revolver” mutante. Mas as referências não se ficam pelos Beatles, por muito omnipresentes que sejam. “The Wake Up Call” ou “Simplest of Deeds” sugerem como seriam as excentricidades que John Lennon aprendeu com a Yoko, se as fundisse directamente com as excentricidades que o George Harrison aprendeu em devaneios e excursões internacionais. Beatles regados de reggae e um baixo pesado pode nunca nos ter passado pela cabeça, mas já se materializou em “Meat Machines” (uma das melhores canções do disco), para sabermos como é. Mas há muito mais. Se quisermos olhar à natureza progressiva disto, tem mais de uma rock opera dos Pink Floyd (que parecem invocar, em conjunto com os Hawkwind, em “Melody of Entropy“) do que do “Abbey Road” ou do “Sgt. Peppers”.

Seguindo a listagem de outros namedrops, “Troll Bait” começa como o mais Primus que aqui se encontra, antes de entrar por outro caminho de quem está a tentar fazer uma música de Black Sabbath, meio a conseguir, mas com os efeitos da trip a levar para outro lado; “Mantra of the Manatee” lembra os mais antigos tempos de Alice Cooper, quando nos referíamos aos Alice Cooper no plural; “It’s a Wrap” fecha com uma trip que parece que deram ácidos de uma marca diferente aos Gong. Supremacia do baixo? Nem tanto. Claro que, andando aqui o Claypool, é inevitável que esteja sempre aí e que existam sempre grandes basslines gingonas, mas como multi-instrumentista, até está mais contido. Há uma sequência iniciada por “The Golden Egg of Empathy” para compensar qualquer falta (que não há). No final da bizarra experiência, “The Great Parrot-Ox” tem todos os ingredientes para um disco autoindulgente e chato. Mas troca qualquer pretensiosismo pela diversão. E se calhar, muitas vezes, basta isso.


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