MONO – Snowdrop

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Pós-rock
Editora Temporary Residence Ltd
Destaques Snowdrop, Bells of Ireland, Farewell to Spring
MONO – Snowdrop
8/10

Já aí desde o final da década de 90, com mais de uma dezena de álbuns, a juntar a colaborações e outros projectos, que os japoneses MONO transcenderam o estatuto de culto para se tornarem dos principais representantes do pós-rock, daqueles que enumeramos quando queremos mostrar a alguém mais novato o que raio é isso do “pós-rock” e também não sabemos explicar muito bem, ainda menos a origem do nome. Portanto “Snowdrop” pode ser disco feito já com algum conforto e sem inventar muitos truques para maravilhar quem se deixou levar por isto antes.

A faixa-título abre com aquele crescendo esperançoso e iluminado, relaxante se pudermos usar tal termo. Prolonga-se nessa construção de atmosfera até que, pouco depois da marca dos cinco minutos, entram guitarras estridentes a elevar para outro patamar. Não pretendemos, com esta apreciação, entrar num texto descritivo, faixa a faixa. Serve antes para mostrar como estamos a descrever um só tema e podíamos estar igualmente a descrever os MONO no geral. Até porque, sem ouvirem a faixa, os conhecedores já conseguirão formar na cabeça como isso soa, mas mais especificamente como isso soa à maneira MONO. E é assim quando a entrada já é mais imediata em “Winter Daphne”, quando o destaque é para uma secção rítmica a deixar tudo mais upbeat em “Shion”, quando se afogam em melancolia em “Bells of Ireland” e quando voltam ao ponto inicial na conclusiva “Farewell to Spring”.

Snowdrop” mexe-se nesse mesmo meio primaveril, etéreo e até algo agridoce, que consegue tomar muitas formas, onde os MONO se costumam mover. O território que já conquistaram. “Snowdrop” até procura ser um dos seus discos mais cinemáticos (tem muita concorrência, é difícil), muito assente no neoclássico, no orquestrado, ao estilo banda sonora de filme. A ilusão da calma quando as guitarras aqui gritam. Pode ser música com muitas passagens, muita instrumentação, muita nota, muito disso tudo, mas que acaba a ter mais emoções ainda. E é por ainda serem tão eficazes a pintar essas paisagens que podem fazer um álbum “como o costume” e sair com a categoria de “Snowdrop” sem questionarmos se estão a repetir alguma coisa ou não.


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