Marilyn Manson – One Assassination Under God – Chapter 2

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Rock industrial, Metal alternativo, Rock gótico
Editora Nuclear Blast
Destaques Unalive, Don’t Answer the Door, None of the Suns
Marilyn Manson – One Assassination Under God – Chapter 2
7/10

Continua o que pode ser uma saga de redenção, um confessionário, ou a parada de um mártir. Após ter feito, com sucesso, décadas de carreira à volta de chocar e ofender pessoas, recentemente viu-se de mãos cheias com outros problemas sérios, que afinal já não entram na categoria de “má publicidade também é publicidade”. O primeiro capítulo de “One Assassination Under God” olhou para o elefante na sala e deu ali umas piruetas à sua volta. Para o segundo capítulo, quando o tema se parece ter apaziguado e até afastado um pouco da sua inicial premissa, faz semelhante. Como o próprio diz, “construiu-o com cada pedra que lhe atiraram”.

Isso confirma que Manson continua a explorar bem a vertente que sempre teve do provocador poeta enigmático-mas-não-tanto. Agora tem que administrar algumas coisas difíceis: conseguir ser ameaçador e uma vítima ao mesmo tempo; manter boas canções, já que elas até têm existido nos últimos discos. À volta da temática esperada, musicalmente olha ao seu passado. Já não se encontra daquele peso “core” que surpreendeu no disco anterior, e já procura conforto no industrial com que fez o seu maior disco, com alguma irreverência do “Mechanical Animals”, a até mesmo alguma daquela suavidade gótico-vampiresca do subvalorizado “Eat Me, Drink Me”, especialmente na conclusiva “Enantiomorph”. Manson ainda consegue soar a si mesmo, sem dúvida. Mas, novamente com naturalidade, ou com o mesmo esforço menos frutífero que se sentiu ali naquela fase desorientada do “The High End of Low” para a frente?

Aí ajuda a companhia de Tyler Bates, com quem escreve e produz estes temas. Juntos parecem conter as chances de explodir daqui uma crise de meia-idade (para ambos), fazem isto soar familiar mas actual, com atitude nas canções sem fazer revirar olhos. Manson já beneficiou bastante de ser uma pária social e de estar coberto de controvérsia. Hoje em dia é um pouco diferente, mas “One Assassination Under God”, tanto no total como neste segundo capítulo, não o deixa cair tanto na desgraça e volta a desenhar a subtil linha que separava o homem da personagem, que não sabíamos bem onde estava, como era antigamente. Foi por aqui por estas páginas digitais que dissemos que o “We Are Chaos” era capaz de ser o primeiro disco a solo de Brian Warner. Foi bom para a altura. Para agora, se calhar o melhor é mesmo um disco do Marilyn Manson e a soar a Marilyn Manson.


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