Markus “Herbst” Siegenhort, músico alemão, personifica o nome Lantlôs, tão representativo dessa maravilha que talvez tenha sido uma praga para muitos: o blackgaze. Chegou mesmo ao ponto de, ao segundo e terceiro discos, contar com o próprio Neige, principal embaixador do movimento, na banda. E esses discos são pilares do blackgaze. O que fazer a seguir? A estagnação era um perigo legítimo. Há que evitá-lo a todo o custo.
Começou a afastar-se. Começou a dedicar-se mais à fracção “gaze” e a andar mais à sua volta com diferentes atmosferas e fusões. Em “Wildhund”, perdeu muitas estribeiras para se libertar criativamente e chegar a este “Nowhere in Between Forever” perdendo as restantes. Toda esta introdução para salientar a mudança radical que se sente em “Nowhere in Between Forever” e como altera o universo Lantlôs. Quem deixou de os ouvir ali durante a trilogia inicial e retomar agora, sofrerá o maior choque frontal. Mas mesmo quem tem vindo a acompanhar ficará surpreendido. O shoegaze deixa-se ficar mais electrónico, pende para o rock alternativo (com muito aroma a 90s) e deixa ganhar imensas texturas e referências diferentes. Recorremos muito às comparações estapafúrdias, que muitas vezes tem que ser, mas desta vez juramos mesmo que um tema como “Cherries” soa muito a Gorillaz.
O peso não é dispensado, mas ronda sempre um metal alternativo com os tiques todos do shoegaze (e “Oxygen”, por exemplo, deixa-se orientar por uma espécie de skate punk mais extraterrestre), portanto somos obrigados a usar a óbvia referência Deftones (e, sem querer apontar muito perigo, temos que equiparar “Clockworks” com a “Minerva”). A outra grande surpresa é o quão bem tudo resulta. Pode faltar um fio que una muitas das canções e “Nowhere in Between Forever” pode soar mais a um conjunto de experiências do que a um álbum concreto e coeso. Mas Lantlôs soube, com sucesso, expandir a sua paleta criativa, desamarrar-se das limitações do estilo inicial (que já desafiava) e deixar tudo em aberto para o futuro. Pode mesmo fazer o que quiser.