Um regresso é sempre um regresso. E temos o primeiro disco dos Forbidden em dezasseis anos, seguindo “Omega Wave”, já esse um regresso após outros treze. É esse o ritmo dos Forbidden. Ou que ajuda a lembrar que, mesmo com um repertório não tão extenso, são dos principais veteranos da cena mais técnica do thrash, que surgiu há umas já longínquas quatro décadas atrás. Tal espaçamento entre álbuns até pode ajudar a não saturar, mas também pode correr o risco de perder relevo. Um álbum auto-intitulado de Forbidden em 2026 é referencial ou preguiçoso?
O principal elefante na sala (a seguir à capa horrível, pronto, não dá para escapar, para já, a estas “obras” feitas por “artistas” artificiais) pode ser o facto de que “Forbidden”, sólido e competente que seja, poderia passar bem mais despercebido se fosse de outra banda com menos reconhecimento e história. Se “Omega Wave”, de 2010, foi um regresso em grande, cheio de garra e pujança, “Forbidden” é bem mais morno, como quem achava que devia colocar qualquer coisa cá para fora para dizer que ainda conseguem. E conseguem. Não vamos dizer que não há aqui malhas, bons riffs, fantásticos solos (falamos, afinal, de thrash técnico) e um lado melódico que até podia ter favorecido o “Green”, o álbum de groove metal da praxe que todas as bandas de thrash tiveram que lançar nos 90s. Mas também tem muito filler e encontra dificuldades na sua longa duração.
A fasquia deixada por eles próprios até acaba por não ser assim tão relevante, porque sente-se que as estruturas das canções são à Forbidden, mas não causam o mesmo impacto. Se foram tão notáveis nos velhos tempos por serem aventureiros, volta a ser isso que os beneficia. Uma melódica, suave, meia baladeira, meia interlúdica “Jisei” surpreende com a atmosfera e leveza meia à Opeth, meia à Queensrÿche, meia à outra coisa qualquer, e até é do que mais chama a atenção. Deixa-nos curiosos em relação a uns Forbidden que queiram explorar mais coisas, para refrescar a sua fórmula. E que se contivessem um pouco e fizessem um disco um pouco mais curto. “Forbidden” não é fraco, mas soa um pouco a obrigação contratual, o que não deixa de ser irónico numa banda que anda a ultrapassar a dúzia de anos entre álbuns. Para manter fãs entretidos e conquistar alguns novos que vão ficar bem mais impressionados com o repertório antigo. E até basta retroceder ao “Omega Wave”.