Há algum tempo que a banda chegou àquele ponto da carreira em que as questões impostas a cada novo disco já abordarão relevância, frescura, força que ainda reste, essas chatices todas. Os Foo Fighters terão feito as suas reinvenções, por mais subtis que fossem, e de cada novo trabalho espera-se, talvez, algo cada vez mais simples. Conformado até, se conseguirmos usar esse termo sem tanta carga negativa. Para “Your Favorite Toy”, no entanto, há novas questões.
“But Here We Are” foi o álbum emocional. Lidaram com uma perda irremediável e daí tiraram um disco catártico, que muitos o terão em consideração como o melhor da banda de Dave Grohl em anos. Entretanto, mais coisas aconteceram e para “Your Favorite Toy” há um enorme elefante na sala, com a mancha que caiu na imagem limpa de Grohl. Junte-se aos seus erros a dificuldade em manter o posto de baterista bem ocupado e parece que a imagem dos “cool guys” ficou em risco. O disco podia tratar isso de frente. Se toca no assunto, é mais subtil (antes que alguém especule para quem é direccionada a “Of All People”, tem a ver com o reencontro que Grohl teve com um velho dealer, já reabilitado), mas procura fazê-lo da forma visceral: com um disco cru e despido. O álbum mais “de garagem”, talvez desde o “The Colour and the Shape”, já esse a polir a crueza e ingenuidade da estreia.
É a camada que pinta aquilo que pode ser, à primeira, um disco genérico de uma banda que já tem o piloto automático à mão. “Your Favorite Toy” também é dos álbuns de Foo Fighters que pode precisar de mais audições para deixar as canções colar, para encontrarmos os hinos. Que bem nos lembramos ali da fase intermediária da banda, e da primeira vez que ouvimos uma “Best of You”, ou uma “The Pretender”, sabendo desde logo que estava ali um hino de rock, que nos ia acompanhar o resto da vida. “Your Favorite Toy” beneficia mais da procura pela crueza de outros tempos, pela intensidade (não cabem baladas, mas cabe muito berro mesmo à Dave), do que pelos hinos pegajosos. No final, é um disco acima do meramente competente e decente, de rock sem espinhas, de uma banda que até podia estar agora numa fase de desorientação e procura de compensação de alguma coisa. Soarem aqui com algum conforto até nem é mau.