Evanescence – Sanctuary

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Metal alternativo, Metal gótico, Nu metal
Editora BMG Records
Destaques Who Will You Follow, Self Destruct, Wide Open Heart
Evanescence – Sanctuary
7.5/10

Continuam a ser especiais, os Evanescence. Já foi há mais de vinte anos que, sem conseguir consenso e pouco importados com isso, lançaram “Fallen”, um dos discos mais marcantes da sua década, no que toca à música pesada mainstream, das portas de entrada para os mais jovens embarcarem no gosto pelas coisas mais ruidosas. Apresentaram-se logo com uma identidade própria e definida, a fundir o gótico e o nu metal que andavam a desfrutar da berra naqueles tempos, e meio que uniu povos nesse processo. Mas a partir daí, e até chegar a este “Sanctuary”, o percurso foi algo errático.

Altos e baixos, longas fendas, perdas de relevo e buscas por recuperá-lo, até a dinâmica da banda já se alterou totalmente. Se, no início, o foco em Amy Lee era injusto para com outros membros nucleares da banda, hoje em dia os Evanescence são a Amy Lee. E, talvez por estarem ainda a batalhar consigo próprios e à procura do seu lugar no panorama, é que discos como o auto-intitulado (de 2011) e o “The Bitter Truth” (de 2021) soem algo perdidos. A primeira atitude que parecem ter adoptado para “Sanctuary” é a de que são uma banda madura. Neste disco, já soam a uma banda bem mais segura de si própria. Claro que o throwback é inevitável (e bem-vindo), mas isto não é só para estar aqui a lacrimejar que o passado já lá vai e o “Fallen” era muito giro. A produção ficou a cargo de Jordan Fish, regular colaborador dos Bring Me the Horizon, e com recentes associações a nomes como Poppy, uma das actuais “filhas” do legado de Amy Lee. Portanto “Sanctuary” também é para soar actual e grandioso. Vivemos o revivalismo de muita coisa, mas os Evanescence finalmente mostram-se prontos a conquistar novos fãs sem ser só através disso.

E há muita influência industrial em “Sanctuary” que, não sendo novidade (vão lá descobrir uma relíquia chamada “Origin”, uma demo de 2000, que pode ser o primeiro álbum oficial desta banda em modo adolescente), assemelha-se a muitos actos contemporâneos, sem soar a uma crise de meia-idade, de quem quer afiambrar-se à canalha para parecer relevante a todo o custo. Porque a identidade dos Evanescence do “Fallen” e do “The Open Door” está lá, bem mais em vigor do que no anterior “The Bitter Truth”, no qual procuravam, desorientados, formas de soarem diferentes. Há uns arzinhos de Lacuna Coil de vez em quando, para os colocar ao lado de outros congéneres de gigante popularidade, e há a habitual versatilidade de Amy Lee, que tanto é baladeira (“How Do I Heal”, “Forever Without You”), como se mune bem de raiva (“Beautiful Lie”, “About Us”, “Self Destruct”) para originar algumas das canções mais pesadas do seu repertório. Claro que nada ganha ao factor sentimental, e o “Fallen”, que terá sido responsável por tanta mudança de vestuário de muito adolescente, será sempre o insuperável melhor. Mas a maturidade deste “Sanctuary” deixa-o lá perto.


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