Destruction

Diabolical
2022 | Napalm Records | Thrash metal

Partilha com os teus amigos

Já foi definido aqui por estas páginas e, enquanto houver discos como este “Diabolical” a ser lançados, vai continuar a ser reforçado. Hoje em dia se quisermos thrash metal do bom, recorremos aos antigos. Felizmente não só aos discos antigos, os que os criaram e editaram continuam a mandar cá para fora material de imensa qualidade e quanta fúria seja necessária para recorrermos a isto num dia daqueles. Mais um petardo bem certeiro desses grandes do thrash teutónico que são os Destruction.

E o bom que tem um bom disco de thrash é o quanto se reconhece a sua falta de inovação sem que isso incomode, e como o próprio disco soa a algo que não tenta ser mais do que é. A descarga de riffs mexe-nos logo com o entusiasmo e faz-nos suspirar de satisfação, especialmente com os da velha-guarda, fazendo-nos sempre sentir um regresso à forma, mesmo que até tenham acertado em discos potentes e de qualidade ultimamente. Ficamos tão entusiasmados a cada malha que começamos logo a destacar o riff desta, o solo daquela e, no final, estamos a dizer que é o melhor álbum desde o tal, que já saiu há uns quantos anos. E se calhar no próximo estamos a fazer exactamente o mesmo, mas ao menos que seja algo de bem, vindo de genuína diversão e desfruto. Então vamos fazer o mesmo para elevar este “Diabolical”: é o melhor desde “Day of Reckoning,” que já conta onze anos.

O obstáculo que teria pela frente seria a baixa de peso, com a saída de Mike Sifringer, deixando Schmier como único membro original da banda, e a sua guitarra a cargo do nada novato Martin Furia. Isto a seguir um disco que já apresentava dois novos membros à família. São uns Destruction renovados, que não origina qualquer mudança de direcção – como naquela fase maldita de onde saiu um infame “The Least Successful Human Cannonball” que ainda existe, por muito que eles o neguem. Muito pelo contrário. É sangue novo que refresca aquela força nas guitarras e revitaliza a banda para soar aí tão venenosa como na década de 80. Riffs desenfreados como de “No Faith in Humanity” ou “Hope Dies Last” lembra a vida que ainda existe no thrash desta categoria e a voz de Schmier quase nos convence que também ele foi substituído por alguém mais jovem, tal é a pujança da sua berraria. Tomem o cagaço inicial de “State of Apathy” como exemplo. A marimbar-se para a reinvenção ou redefinição do género, “Diabolical” é o perfeito cartão de visita para o thrash teutónico. E há lá melhor maneira do que esta de celebrar quatro décadas de carreira?

Músicas em destaque:

No Faith in Humanity, Hope Dies Last, State of Apathy

És capaz de gostar também de:

Kreator, Sodom, The German Panzer


sobre o autor

Christopher Monteiro

Partilha com os teus amigos