Audrey Horne – Achilles

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Hard rock, Heavy metal
Editora Napalm Records
Destaques In the Eye of the Hurricane, Insanity, Running Through the Night
Audrey Horne – Achilles
8/10

Os Audrey Horne já não são um segredo por descobrir, muito menos alguns novatos acabados de aparecer. Mas, para o quão grandiosos e catchy sempre soaram, continuam a manter-se ali mais perto do subsolo do rock. Poético e bem aplicado já que a curiosidade desta banda é a de ser composta por malta que tem Sahg ou Enslaved no currículo, com antigos membros a juntar outros nomes igualmente simpáticos como Gorgoroth. Passada a curiosidade, “Achilles” é o oitavo álbum que vem estabelecê-los como banda “a sério”, caso existissem dúvidas. Não vem para reinventar.

Por esta altura, já lhe conhecemos os truques. Hard rock musculado, tributo aos titãs do hard n’ heavy da década de 80, mas com o seu próprio cunho, claro, já que em tempos também se deixavam levar um pouco por uma quantidade saudável de pós-grunge. Já há menos disso aqui, mais voltado para o passado. Se tem referências mais contemporâneas, só se for a forma como ginga mais à Ghost em “In the Eye of the Hurricane”, mas é referência que se mantém em território familiar. Depois há uma folia mais glam como a de “God Damn Beautiful”, fusões de referências como fazem com KISS e Ozzy em “Hell Is Eternity“, e não faltam acenares a Iron Maiden como o início de “Vampires” e o bem mais flagrante arranque de “Running Through the Night”. Iron Maiden a cantar sobre o Tony Soprano é algo que já tivessem pensado? Não? Então vão ouvir essa e saem servidos com algo que não sabiam que precisavam. Também têm os seus próprios trunfos, já que a fórmula baladeira por que optam é a mais familiar: “Pretty Little Lies” soa mesmo muito próxima à “Sail Away” do seu auto-intitulado.

É o disco de uma banda que já estabeleceu o seu estilo e o ranking dos discos será feito à base da quantidade de malhas imediatas que lá se encontram, a sua eficácia, e a força com que se agarram ao nosso miolo e de lá não saem. E “Achilles” pode ser o álbum com mais “bangers”, como se diz por aí, desde o “Youngblood”, para além da distinção de ser talvez o disco mais “heavy metal” no seu hard rock de diferentes tons. O que também já está garantido e estabelecido há muito tempo é de que não são apenas uma gimmick, “a tal banda de hard rock feita por tipos do black metal”. Continua a sê-lo, mas não se ouve só pela graça disso.


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