Wings of Desire

por Isabel Leirós

Um filme de ambiente nostálgico com esperança no futuro

Título Português Asas do Desejo
Ano 1987
Realizador Wim Wenders
Elenco Bruno Ganz, Peter Falk, Solveig Dommartin, Otto Sander
País Alemanha
Duração 128min
Género Drama, Romance, Fantasia
Wings of Desire

O Muro de Berlim caiu há trinta anos, a 9 de Novembro de 1989. O desaparecimento da fronteira física que dividia mais que o país, o mundo, era inevitável.

Dois anos antes, em 1987, Wim Wenders estreou o seu Der Himmel über Berlin, literalmente traduzido como «O Céu sobre Berlim». Em Inglês ganhou o título Wings of Desire e em Português Asas do Desejo. Nessa altura, o Mauer mantinha-se intransponível e indestrutível. O argumento é assinado por Peter Handke, Nobel da Literatura em 2019. Conta com brilhantes interpretações de Bruno Ganz e Peter Falk.

 

 

Sem qualquer pretensão premonitória, o filme é uma cápsula do tempo. Percorre as ruas de Berlim Ocidental e inscreve na memória colectiva os rostos dessa era, os movimentos artísticos, a contra-cultura da nova geração, o nascimento de duas estrelas: Nick Cave e Blixa Bargeld.

As atrocidades do passado e a guerra fria estão sempre presentes, embrulhando a esperança e os sonhos de futuro. Wings of Desire envolve-se de nostalgia.

Num brilhante argumento que saboreia o quotidiano, acompanhamos os anjos Damiel e Cassiel que observam e confortam os habitantes de Berlim, sem qualquer interacção física mas capazes de apaziguar o espírito de quem deambula pela cidade, sendo visíveis apenas por crianças. Em exercício de intimidade e de solidão, Wim Wenders revela os desejos e os pensamentos mais mundanos, criando espaço para a felicidade, para a ansiedade, para o medo, para cada minuto no relógio. É através das figuras celestiais que se revela a humanidade.

 

 

Os anjos testemunharam a transformação do espaço, da chegada dos primeiros humanos às primeiras edificações, não esquecendo as atrocidades e a destruição de guerra. O seu papel é preservar o passado.

Bruno Ganz é Damiel, um desses anjos vigilantes, que acaba por se apaixonar pela poética figura de uma trapezista, Marion (a actriz francesa Solveig Dommartin). Por amor, Damiel troca a eternidade pela fugaz possibilidade de experienciar a vida terrestre. Num acto de coragem, arrisca viver. Troca as asas por uma vida que ganha novas cores, deixando os tons monocromáticos no passado.

Num volte-face, agora somos nós os anjos que de fora observam Damiel, captando a incomensurável felicidade de quem prova pela primeira vez uma peça de fruta ou de quando é finalmente contemplado pelo seu objecto de desejo. Antes uns fugidios anos de vida sensorial, que uma eternidade como mera testemunha.

Nos créditos finais, Wim Wenders dedica o filme a três anjos: «Yasujiro, François und Andrej». Uma referência a Yasujirō Ozu, François Truffaut e Andrei Tarkovsky, cineastas que influenciaram Wenders e que este identifica como verdadeiros anjos que, igualmente, preservam a memória da Humanidade através da Sétima Arte.

 

Agradecemos ao Espaço Nimas o visionamento do filme


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