Vanilla Sky

por Isabel Leirós

Em 2001, Tom Cruise brilhava num thriller psicológico – a roçar a ficção científica distópica – pela mão de Cameron Crowe.

Título Português Vanilla Sky
Ano 2001
Realizador Cameron Crowe
Elenco Tom Cruise, Penélope Cruz, Cameron Diaz, Jason Lee
País EUA
Duração 136min
Género Fantasia, Thriller, Mistério
Vanilla Sky

Em 2001, Tom Cruise brilhava num thriller psicológico – a roçar a ficção científica distópica – pela mão de Cameron Crowe, levando a seu lado Penélope Cruz e Cameron Diaz, o promissor Jason Lee e o veterano Kurt Russell. O enredo já não era novidade, visto tratar-se de um remake do original espanhol “Abre los Ojos”. Apesar disso, foi um dos filmes mais aclamados do ano quer pelo público, quer pela crítica – enfim, tudo para ser um clássico instantâneo.

Um dos pontos fortes de Vanilla Sky é a sua banda sonora: Radiohead, Paul McCartney, Peter Gabriel, The Monkees, Leftfield com Afrika Bambaataa, Sigur Rós, Jeff Buckley, Bob Dylan, R.E.M. e The Chemical Brothers, entre tantos outros. E, ainda, uma contribuição de Nancy Wilson, responsável pela composição em Almost Famous. Não há forma de arte mais capaz de traduzir o que de mais íntimo nos corre no pensamento.

A narrativa é aparentemente simples – e aqui começam os spoilers, atenção: um playboy é vítima do seu estilo de vida inconsequente e recorre a um serviço de criopreservação, enquanto sonha com a vida que desejou ter e o amor que nunca soube acolher. Ao longo das duas horas, tudo acontece com uma aura muito idealizada e de perfeição, em que cada detalhe transpira cinematografia impecável e cada minuto parece desenhar um quadro de felicidade tangível.

Quem ainda não viu o título, deverá interromper a leitura de imediato e dar início à visualização – por exemplo, no Netflix, pois logo a seguir a esta imagem irei deixar uma série de teorias de cinéfilos que tornam o filme ainda mais enigmático e intrincado.

Mesmo na recta final de Vanilla Sky, Cameron Crowe apresenta ao público a mais razoável explicação para toda a história, tornando evidente o que aconteceu. Porém, um pouco por toda a internet, é possível encontrar novos caminhos e pistas que permanecem sem explicação. Estas são as minhas teorias favoritas:

Há quem julgue tratar-se tudo de um sonho de David, trazendo ao de cima todos os receios e sentimentos de culpa.

– Logo na abertura, David ouve Sofia dizer «open your eyes». Como é que isto poderia ter acontecido, se ainda não se tinham conhecido?
– Pouco depois, ouvimos David relatar um sonho/pesadelo ao psicólogo.
– O clássico filme “Jules and Jim” termina com um acidente semelhante ao que vemos em Vanilla Sky.
– O selo automóvel de David é de dia 30 de Fevereiro, algo surreal.
– Músicas dos R.E.M. são importantes apontamentos na banda sonora e, já se sabe, R.E.M. significa rapid eye movement.

Há quem também acredite que se trata de uma metáfora religiosa.

– David comete suicídio após a morte de Julie (Cameron Diaz), vencido pelo sentimento de culpa, morrendo aos 33 anos de idade.
– A empresa que vende o Lucid Dream é, na realidade, Lúcifer – com quem assinou um contrato (sobre o qual David é questionado) pela sua alma, recebendo em troca a vida perfeita que deitou a perder.
– Mais evidências: os cabelos encarnados de ambas as funcionárias da L.E., a Tilda Swinton tem molho picante atrás de si no escritório.
– O pai de David escreveu O LIVRO, intitulado “Defending the Kingdom” e a revista que gere chama-se “Rise”.
– “What if God Was One of Us” toca e é cantado por David.

Um filme com todo o potencial para ser algo entre a romcom e o thriller, rapidamente se transforma num clássico complexo bem ao jeito de Crowe. Para além das teorias explicativas, o The Uncool reuniu ainda muitas evidências, factos e pequenos apontamentos que tornam o regresso a este filme muito mais delicioso.


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