After Earth

por Joao Torgal

Quando tudo parece correr mal, corre mesmo e não há muito a dizer sobre After Earth: é mau de mais para ser verdade...

Título Português Depois da Terra
Ano 2013
Realizador M. Night Shyamalan
Elenco Jaden Smith, David Denman, Will Smith
País Estados Unidos
Duração 100min
Género Fantasia, Acção, Aventuras, Ficção Científica
After Earth
2/10

Um realizador caído em desgraça como M. Night Shyamalan, Will Smith numa nave espacial, um Planeta Terra apocalíptico, fogachos de um conturbado e difuso passado familiar, uma luta épica pela sobrevivência… teme-se o pior, mas por vezes temos surpresas. Neste caso, quando tudo parece correr mal, corre mesmo e não há muito a dizer sobre After Earth: é mau de mais para ser verdade.

Até ao belíssimo The Village, o percurso de Shyamalan focava-se numa certa reflexão sobre o pós-vida ou as influências filosóficas do além ou de um mundo extra-terrestre, ao mesmo tempo que a cruzava com personagens excêntricas (ou simplesmente reais) em busca de um sentido de existência no Mundo. Fosse nos melhores momentos (The Sixth Sense à cabeça) ou nos mais absurdos (o inqualificável Signs), havia uma marca autoral forte e um percurso relativamente coerente. Com Lady in the Water, começaram os devaneios vazios que atingirão aqui o seu apogeu.

Qualquer suposta mensagem que o filme pretenda passar esgota-se no tagpromocional: Danger is Real, Fear is a Choice. Podia ser uma boa reflexão sobre o medo, mas a abordagem à questão é simplesmente gratuita ou ausente. O argumento, por sua vez, perde-se nas suas contradições e incógnitas. Numa expedição (que expedição?) a um planeta Terra pós-humano, um conjunto de rangers futuristas tem um acidente que deixa apenas dois sobreviventes: Will Smith e o seu filho. Perante a incapacidade do pai, terá de ser o filho a cumprir uma missão de sobrevivêncial (qual missão?) capaz de os resgatar dos perigos iminentes e fazê-los voltar a solo firme (qual solo firme?), tudo isto enquanto o pai tem flashes de recordações familiares (que recordações?). É simultaneamente simples e complexo, no sentido de ser básico e perfeitamente desconexo. Espera-se por um twist ao jeito de The Village, que dê efectivo corpo ao filme ou pelo menos surpreenda, mas isso não acontece. O campeonato é descaradamente outro.

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Se o pai é interpretado por Will Smith, o jovem adolescente é Jaden Smith, precisamente o filho de Will na vida real. Pai e filho juntos na desgraça, depois de já terem sido parceiros num dos mais simplórios e escabrosos filmes que se fizeram sobre o capitalismo e o poder do dinheiro, The Pursuit of Happyness, espécie de telefilme de Domingo à tarde com uma mensagem perversa.

A estética futurista e tecnológica de After Earth faz lembrar um jogo de consola pouco imaginativo, onde as vidas são fluidos de oxigenação e as regras são pouco claras e relativamente manipuláveis. Como tal, não vale a pena resistir à mensagem óbvia: “game over”. Para o filme e talvez para o cinema de Shyamalan.


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