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Tesnota
Título Português: Closeness | Ano: 2017 | Duração: 118m | Género: Drama
País: Rússia | Realizador: Kantemir Balagov | Elenco: Darya Zhovnar, Atrem Cipin, Olga Dragunova, Veniamin Kac

Seis anos depois, a vitória voltou a ser russa no LEFFEST. Em 2011, Twilight Portrait era um retrato poderoso da forma peculiar de vingança de uma mulher após ser vítima de violação. Um retrato de emancipação, com algumas semelhanças com Elle (filme de Verhoeven do ano passado, que valeu a Isabelle Huppert uma nomeação para o Óscar). Em 2017, Tesnota foi também premiado na secção Un Certain Regard (secção em que o principal prémio foi para o muito mais interessante Lerd – Man of Integrity, também na competição do LEFFEST). Mas é uma desilusão

Estamos em 1998, no Norte do Cáucaso, numa pequena comunidade judaica. Um jovem casal é raptado e é pedido às famílias um resgate. Acompanhamos os pais a e a irmã na dele no esforço de conseguir encontrar o dinheiro necessário para assegurar a libertação. Acompanhamos mesmo?

Tesnota entrelaça a falta de confiança nas autoridades, a ortodoxia judaica, o choque geracional, a relação promíscua entre dois irmãos, a discriminação das mulheres e a emancipação feminina ou os choques inter-religiosos e inter-étnicos na Rússia do virar do século. Só que fá-lo de forma muito fragmentada, sem grande fio condutor que nos agarre à história. De tal modo que quase nos esquecemos que há um resgate a ser pago. De tal forma que há uma cena na televisão, com uns bons 10 minutos (?!), que dá a sensação que ficou por cortar na montagem final.

Há uma cena boa a expor o lado retrógrado da ortodoxia religiosa, em que os casamentos combinados ainda são prática corrente. E há boas interpretações femininas da jovem Ila e da mãe Adina, pelas actrizes Darya Zhovnar e Olga Dragunova, esta última também premiada no LEFFEST. Mas é muito curto, numa história que vai perdendo espessura dramática e credibilidade das personagens com o evoluir da narrativa. E, num final que engonha sem saber bem para onde ir, uns laivos psicadélicos pouco mais servem do que para incomodar o espectador.

 


sobre o autor

Joao Torgal

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