Simon Killer

por Joao Torgal

Simon Killer volta a colocar no centro da acção as atribulações psicológicas das personagens...

Título Português Simon Killer
Ano 2012
Realizador António Campos
Elenco Brady Corbet, Mati Diop, Lila Salet
País Estados Unidos
Duração 101min
Género Drama, Thriller
Simon Killer
7/10

A longa de estreia do americano, com ascendência brasileira, António Campos era uma incursão pelos caminhos mais obscuros da escola, mostrando a morte por overdose de duas jovens através do olhar de dois rapazes psicologicamente perturbados. Para além do retrato denso e pesado dos terrenos estudantis e da adolescência, Afterschool era também um filme sobre as convenções, sobre os padrões e a cultura da aparência.

Quatro anos mais tarde, Simon Killer volta a colocar no centro da acção as atribulações psicológicas das personagens. No caso, o foco está em Simon, um americano que, após ter sido aparentemente traído pela namorada, decide viajar até Paris. É aí que encontra uma prostituta que o acolhe e com quem vai estabelecer uma relação pouco tradicional e criar um esquema de chantagem e extorsão de dinheiro a homens casados. A partir daí, começam a surgir pistas sobre um passado mais perverso.

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Simon Killer é uma autêntica viagem à cabeça de Simon, expressa pela forma próxima como o filma, pelos flashes de luz ou pelo acompanhamento da música que ele ouve. Aliás, o som é notável, seja nos pequenos e perturbadores apontamentos minimais, no som mais festivo dos LCD Soundsystem ou na electro-pop mais negra. E, depois do Funny Games americano de Haneke, ou de Martha Marcy May Marlene, o filme confirma Brady Corbet como talhado para estes papéis mais misteriosos e sinistros.

Por outro lado, o filme é dissociável da forma antí-climax como aborda e coloca Paris na acção. Longe da luz, do romantismo, do amor e do postal turístico, Simon Killermostra os choques culturais, o lado negro e a vertente mais perigosa da capital francesa ou a degradação humana no Pigalle. Exemplo paradigmático é o plano com a Torre Eiffel em fundo, quebrando o cliché visual e mostrando a existência de duas Paris, estando a mais idílica e mediaticamente conhecida a léguas de distância da que aqui vemos.

Depois de Afterschool, pode ainda não ser com Simon Killer que António Campos chega ao Olimpo cinematográfico e que atinge o nível do camarada Sean Durkin com o belíssimo Martha Marcy May Marlene. Mas não andará longe…


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