Point Break

por Arte-Factos

Parte da singularidade do Point Break é ser um dos poucos filmes de acção realizado por uma mulher o que, em certa medida, permitiu a Kathryn Bigelow ir mais longe na exposição do machismo-testosterona deste tipo de filmes, jogando com a ironia e (quase) no limite do ridículo.

Título Português Ruptura Explosiva
Ano 1991
Realizador Kathryn Bigelow
Elenco Keanu Reeves, Patrick Swayze, Gary Busey, Lori Petty, John C. McGinley, John Philbin
País E.U.A.
Duração 123min
Género Acção, Crime, Thriller
Point Break

You’re trying to tell me the F.B.I.’s going to pay me to learn to surf?

Isto e um bando de assaltantes de bancos que usam máscaras dos ex presidentes americanos Reagan, Carter, Nixon e Johnson lançaram o mote para o filme-ícone do surf dos anos 90.

Antes de Point Break, já Baywatch nos tinha mostrado as praias e superfícies brilhantes da Califórnia. Aqui, no entanto, o motor não eram os fatos de banho vermelhos, mas sim as sequências de acção-adrenalina filmadas pela mão destra de uma mulher a Kathryn Bigelow (ex-mulher do James Cameron e primeira e única mulher a ganhar um Óscar para melhor realizador(a) pelo The Hurt Locker).

Johnny Utah (Keanu Reeves) é um agente do FBI inexperiente, destacado para investigar um grupo de criminosos conhecidos como “Ex Presidentes” que tem assaltado bancos usando máscaras dos presidentes norte-americanos sem deixar pistas. Ou pelo menos, sem pistas aparentes. O bronzeado de um assaltante repescado duma câmara de vigilância e o faro do parceiro de Johnny, Angelo Pappas (Gary Busey) veterano, levam a que Johnny se infiltre na comunidade local de surfistas.

E aqui entra o Bodhi (Patrick Swayze) – diminutivo de Bodhisattva que em sânscrito significa «ser de sabedoria». O Bodhi é personificação cinematográfica daquele miúdo fixe do liceu dos anos 90 que passava cera no cabelo e encadernava os cadernos com fotografias azuis dos tubos das ondas. Toda a gente queria ser cool como ele. Tal como o Johnny, que rapidamente se vê seduzido pelo espírito livre do Bodhi no surf, no skydiving e nas namoradas. Do resto reza a história – que não é difícil de adivinhar.

O filme foi um sucesso no cinema e nos clubes de vídeo tendo ficado atrás apenas de Terminator 2: Judgement Day. Imaginem isto hoje: um ano dominado por um casal de realizadores, completamente díspares no estilo, completamente uníssonos no quebrar das fronteiras do grande ecrã. E se é verdade que nunca nos esqueceremos do líquido T-1000, também é verdade que Point Break nos deu das melhores sequências de perseguição em carro e a pé e que foram, desde então, muito replicadas.

Na altura, a estrela maior era o Patrick Swayze que vinha quentinho do título de Sexiest Man Alive da People e tinha atrás de si êxitos como Dirty Dancing (1987), Ghost (1990) e a série Norte e Sul. Já para o Keanu Reeves este foi o filme que começou a definir a sua persona seguindo-se o Speed (1994) e The Matrix (1999). Originalmente, os protagonistas – na versão que seria realizada pelo Ridley Scott – seriam desempenhados pelo Matthew Broderick e pelo Charlie Sheen. Também o Johnny Depp e o Val Kilmer foram considerados para os papéis, mas a melena loira do Patrick Swayze prevaleceu e ainda bem.

Parte da singularidade do Point Break é ser um dos poucos filmes de acção realizado por uma mulher o que, em certa medida, permitiu a Kathryn Bigelow ir mais longe na exposição do machismo-testosterona deste tipo de filmes, jogando com a ironia e (quase) no limite do ridículo.

A outra parte é o imaginário deixado pelo filme – mesmo até à última cena em que o Bodhi desaparece, enfrentando a maior onda da (sua) memória. Vaya com Dios.

Texto por Raquel Sampaio 


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