Normal

por Pedro Rolino

Bob Odenkirk protagoniza um thriller de ação que falha por falta de inspiração.

Título Português Normal
Ano 2025
Realizador Ben Wheatley
Elenco Bob Odenkirk, Ryan Allen, Billy MacLellan
País EUA
Duração 91min
Género Western, Ação, Comédia
Normal
4/10

O mais recente trabalho do realizador Ben Wheatley chama-se Normal e parte de um guião coescrito pelo próprio ator principal. Bob Odenkirk interpreta Ulysses, um xerife substituto numa pacata localidade do interior norte-americano, onde a aparente tranquilidade rural se dissipa perante uma ligação inesperada entre os próprios habitantes e a máfia japonesa. Infelizmente, trata-se de uma obra marcada por uma persistente falta de inspiração, onde as ideias originais parecem ter-se perdido algures entre as intenções iniciais e a execução técnica.

Desde logo, a fragilidade do filme revela-se em estabelecer uma tonalidade coerente e fluida. O guião procura pontuar a narrativa com momentos de humor, mas os registos cómicos falham quase sempre o alvo. Essas tentativas surgem deslocadas do contexto dramático imediato, quebram a pouca imersão que a história consegue criar e deixam a sensação desconfortável de pertencerem a um projeto diferente. Este desalinhamento estético agrava-se perante uma trama principal plana, com intrigas excessivamente lineares. A estrutura avança sem densidade suficiente para motivar a atenção acrescida do espectador, limitando-se a seguir caminhos acanhados com um sentido de urgência transvestido.

A par da debilidade narrativa, sobressai também a frágil construção do protagonista. Apesar do arrojo que Bob Odenkirk costuma conferir aos seus papéis, a sua personagem sofre aqui de uma ausência crónica de motivações sólidas. Assistimos às suas ações sucessivas sem conseguir compreender plenamente os impulsos que as justificam ou os objetivos que deveriam orientar o rumo dos acontecimentos. Esta indefinição psicológica contamina inevitavelmente o restante elenco. As personagens secundárias surgem reduzidas, na sua maioria, a meros adereços de cena, incapazes de estabelecer uma verdadeira ponte de empatia com o público.

Esta distância contínua acaba por comprometer até o aspeto técnico mais evidente da realização de Wheatley. O cineasta demonstra um à vontade na condução das sequências de ação, desenhando momentos dinâmicos, marcados por sangue avulso e por um apuro visual assinalável. No entanto, todo esse espetáculo cinético se esvazia de significados ulteriores a partir do momento em que o destino daqueles que vemos no ecrã se torna inteiramente indiferente.

O desfecho surge, assim, como a consequência natural deste percurso de progressivo desinteresse. Longe de oferecer uma resolução satisfatória, Normal parece aceitar a sua própria mediania sem qualquer resistência criativa. É um encerramento esquecível, que abandona a história sem rasgos de audácia ou imaginação, confirmando que a apatia sugerida pelo título contaminou quase todas as decisões artísticas desta produção.


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