Life

por Jose Santiago

Life traz de volta o terror no espaço sem cair no erro de criar uma ameaça desinteressante.

Título Português Vida Inteligente
Ano 2017
Realizador Daniel Espinosa
Elenco Ryan Reynolds, Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Olga Dihovichnaya, Hiroyuki Sanada, Ariyon Bakare
País EUA
Duração 104min
Género Terror, Ficção Científica
Life
8.5/10

Um equipa de cientistas encontra-se a bordo de uma estação espacial que gira há vários anos em órbita da Terra. A sua mais recente missão é apanhar uma sonda regressada de Marte para analisar algumas amostras de solo que por lá recolheu. O trabalho parece ser rotineiro e de acordo com a expectativa, acabando por levar à descoberta de um ser unicelular capaz de sobreviver nas condições atmosféricas terrestres. O achado é visto com tão bons olhos que é de imediato reportado em todos os meios de comunicação – Calvin é o nome do primeiro ser extra-terrestre descoberto. Na estação espacial continuam as experiências e acabamos por descobrir que esta nova forma de vida pode ser uma ameaça para a nossa espécie.

Há vários anos que não estamos perante um bom filme de terror passado no espaço. As comparações com Alien – O 8º Passageiro são óbvias e merecidas, mas neste caso devem apenas ser tomadas como um elogio. Não estamos num futuro assim tão distante, a missão espacial continua a ser da NASA e a Terra está sempre presente se olharmos pela escotilha. Todos esses elementos ganham uma dimensão inteiramente diferente assim que a ameaça é localizada, tornando tudo mais desesperante e tenso. Aliás, tensão é coisa que não falta e está maravilhosamente gerida. Desde as propriedades e evolução da criatura até à maneira como todos os passageiros daquele veículo se têm de proteger ou esconder. Não se pode dizer que haja momentos mortos, o filme começa lento, as personagens são construídas e as regras definidas. Ao contrário do seu predecessor mais óbvio, não há a surpresa de uma criatura a bordo, ela é trazida de forma consciente e mantida por toda a tripulação. É aí que o título ganha várias dimensões.

A criação da vida e a destruição da mesma é um tema sempre presente. A esperança de algo que é gerado e nutrido pode nem sempre corresponder às expectativas e, em última instância, pode levar à morte. Também nas personagens há novas vidas que se descobrem quando as circunstâncias assim o permitem, o que torna o subtexto mais complexo e interessante do que alguns predecessores do género. Não nos deixa a pensar muito durante o desenrolar da acção, mas insiste em provocar bem depois das luzes se acenderem. As interpretações são irrepreensíveis, o elenco é reduzido mas coeso. Não podemos falar em personagens principais, há actores mais conhecidos que outros, mas partilham todos a mesma importância em termos de desenvolvimento da história e no funcionamento daquela estação espacial. Se tivesse de destacar dois nomes por força de uma arma apontada à cabeça, teria obrigatoriamente de mencionar Ariyon Bakare e Olga Dihovichnaya. São duas escolhas que se prendem muito pela maneira como as personagens estão escritas, tendo um pouco mais de liberdade e uma verdadeira hipótese para brilhar.

Life traz de volta o terror no espaço sem cair no erro de criar uma ameaça desinteressante e espetacularmente criada por computador. É tudo muito contido, mostra o que tem a mostrar quando deve mostrar e cria verdadeiro receio pelas personagens. Uma verdadeira experiência de grande ecrã repleta de efeitos-especiais, mas que não vive deles, nem sequer estamos a pensar neles.


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