Braveheart

por Natália Costa

Braveheart é um dos melhores filmes do cinema e traz-nos a inspiradora história do guerreiro William Wallace.

Título Português O Desafio do Guerreiro
Ano 1995
Realizador Mel Gibson
Elenco Mel Gibson, Sophie Marceau, Patrcik McGoohan, Brian Cox, Peter Hanley, Catherine McCormack, Brendan Gleeson, Angus Macfadyen
País Estados Unidos da América
Duração 177min
Género Drama, histórico
Braveheart
10/10

Braveheart: O Desafio Do Guerreiro é um dos filmes mais marcantes do cinema e é uma das minhas películas de eleição. Acompanha o conflito Inglaterra Escócia, aquando da luta pela independência por parte da Escócia e o aperto das condições e crueldade por parte da Inglaterra. O filme é fictício, mas acompanha a história dum guerreiro que existiu: William Wallace.

Um verde magnético, a poderosa música das gaitas de foles escocesas, uma história apaixonante e a luta pela liberdade. A delicadeza duma flor pode ser um gesto do tamanho duma floresta. Os pais influenciam-nos para a vida, o lugar de onde vimos, onde crescemos, o exemplo que tivemos (ou não tivemos), a maneira como nos relacionamos desde a infância, as primeiras pessoas que nos marcam e a primeira perda definitiva são tudo factores significativos na nossa formação.

Mel Gibson, um actor extraordinário, um realizador espantoso, teve aqui, aquela que é a sua obra-prima. Braveheart não é apenas o seu melhor filme, é também um dos melhores filmes da história do cinema. Gibson conseguiu captar a essência do que é ser guerreiro, da luta pela liberdade num filme notável. Ele é, aliás, um realizador extremamente talentoso com a capacidade de combinar harmonia e caos, gargalhadas e lágrimas, que transforma os filmes em obras inesquecíveis e tocantes, como é também o caso de Apocalypto.

You came to fight as free men and free men you are. What will you do without freedom?

Liberdade? O que é a liberdade? “Querer-se livre é querer livres os outros.”, definiu Simone de Beauvoir. Será a capacidade de seguirmos o nosso coração sem termos de nos subjugar à vontade ou ao poder de outros? Ou é o direito de proceder conforme nos pareça melhor, contanto que esse direito não vá contra o direito de outrém? No filme tratava-se da liberdade de um país, duma nação, de homens que queriam nascer livres e sem se subjugarem à crueldade imposta pelo Rei da terra vizinha. De que se fala nos dias de hoje quando se fala da condição de liberdade?

A sede de poder é uma constante da Humanidade. Porquê esta obsessão por controlo, por dominação? Porquê o incansável desejo de subjugar outros? Será que assim nos sentimos mais valiosos? Será que a diferença nos amedronta? Será que o que não conhecemos ou compreendemos nos assusta? Porquê esta necessidade de termos razão e esta constante dificuldade em lidar com as nossas diferenças como seres humanos?

Como podemos ter a fé necessária para dar o passo no escuro; ter a coragem de lutar, de seguir aquilo em que acreditamos? A coragem é a capacidade que o ser humano tem de enfrentar os seus medos. Alguém é mais facilmente destemido quando não tem nada a perder (e o que temos a perder senão ilusões?). E o que inspira mais o ser humano do que a coragem?

Men don’t follow titles, they follow courage.

O amor, claro. Este filme demonstra a indubitável força do amor e aquilo de que torna o ser humano capaz. Alguém que ame verdadeiramente, com todas as suas forças, perde o medo de morrer. A morte torna-se natural, aceitável quando estamos cheios de vida, torna-se uma consequência, mais um passo no caminho. Muitos dirão que o amor é apenas um momento lamechas num filme de guerreiros, mas é justamente esse encontro que desperta o guerreiro interior. É justamente no amor (sendo ele de carácter romântico ou não) que nos encontramos, que nos compreendemos, que nos aceitamos, que encontramos a coragem.

A banda-sonora é uma das melhores de sempre: James Horner em perfeição! Aliás, este filme sem a banda-sonora não teria metade do impacto. A música tem uma força avassaladora na maneira como as imagens influenciam o espectador. A música perdura na memória e torna as imagens inesquecíveis. Em Braveheart, a música é o grande motor que nos leva de batalha em batalha até ao inesquecível final.

Randall Wallace, especialista em épicos, escreveu um argumento imaculado, com diversas pérolas, daquelas às que voltamos vezes e vezes sem conta. O discurso da cena que antevê a batalha relembra a força incondicional das palavras na capacidade de tocar o coração humano.

A composição dos actores contribui largamente para a excelência de Braveheart. Sophie Marceau como princesa inocente e romântica, Peter Hanley como príncipe egoísta e frio, Catherine McCormack como rapariga simples e corajosa, Angus Macfadyen numa das cenas mais dramáticas do filme e com um olhar penetrante que emociona o espectador, Brendan Gleeson como amigo desajeitado que compõe cenas tão adoráveis como divertidas e Patrick McGoohan interpretando de maneira espantosa o Rei estratega e cruel que está na base do conflito. E, claro, Mel Gibson! Gibson compõe um Wallace avassalador: inspirador como guerreiro, engraçado na dose certa, invasivo como amante, tocante como ser humano. Um equilíbrio harmonioso desta personagem tão apaixonante como memorável. E a questão que se coloca é: como queremos viver?

A cena final é um dos melhores momentos de cinema, até a multidão fica rendida. E, a imagem da espada no horizonte é uma das mais icónicas da sétima arte. Braveheart é indubitavelmente um dos melhores filmes de sempre com a capacidade de tocar todos os corações, um filme que nos relembra porquê que criamos esta arte e porquê que estamos aqui como seres humanos!

 

Your heart is free. Have the courage to follow it.


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