Prana — Ser Nenhum

por Arte-Factos
Ano 2018
Estilos Rock
Editora Edição de Autor
“Ser Nenhum” de Prana

Em “Ser Nenhum” os Prana trazem ao mundo 13 novos temas, produzidos por João Bessa no Boom Studios, cantados em português, que exploram o pessoal e o íntimo de cada um não esquecendo aquilo que os envolve e rodeia.

#1 Vira Lata

‘Ser Nenhum’ aborda vários temas – do dentro e do fora – e de como estes se podem influenciar mutuamente. ‘Vira Lata’ arranca, depois da cama feita, com o riff que perdura tanto quanto a música. Este tema é uma espécie de “Triunfo dos Porcos” com um rafeiro de baixa classe social e instintos revolucionários a assumir o papel principal, dizendo que um “vira lata não dá pata”.

#2 Touro

A premissa para este tema é imaginares-te numa arena, com um adversário pela frente, estando tu em desvantagem. Já deste corpo, alma, suor e sangue e tens energia para uma última investida antes de sucumbires, que, sem medo ou hesitações, cumpres. A música vai seguindo, gradualmente, o que se vai passando na letra.

#3 Vaso Chinês

O consumismo é um canto de sereia. Algo que nos diz “tu precisas disto. E daquilo. E se vier com aquilo ficas completo. Bem sucedido. Feliz.”

O ‘Vaso Chinês’ fala de alguém que descarta o que é real e humano para se rodear – e eventualmente afogar – no que é supérfluo. É também o último single lançado, deste álbum.

#4 Mulher ou Comandante

Às vezes, há músicas que passam por mil versões diferentes – melódica ou tematicamente – até chegarem à sua versão final. Esta começou por falar de uma relação destrutiva, mas acabou por mudar para um tipo diferente de batalha: a interna. A que é tão perigosa quanto silenciosa e para cujos sinais devemos estar atentos, tanto para nós mesmos como para os que nos rodeiam. Tentámos levar todo esse frenesim emocional e psicológico para a música, com as tarolas e guitarras sincopadas, alternando entre maiores e menores, silêncios e devaneios totais de bateria.

#5 Vinte e duas e vinte e dois

Reduzindo a velocidade até a um murmúrio, 22:22 fala de memórias, arrependimento e da forma como o tempo lima arestas que nos pareciam tão incisivas no passado. Deixámo-nos levar um pouco pela nossa paixão do bossa nova, e, por sugestão do nosso produtor e sempre assertivo João Bessa, somámos as guitarras carregadas de reverb e distorção como fundo e a linha de teclado para cozer tudo isto junto.

#6 Eu estou cá

É provavelmente o tema mais direto e quadradinho do álbum. A letra, cantada na primeira pessoa por um mentiroso e manipulador assumido, revela os podres e segredos de uma aldeia que é cidade e onde pouca gente é como diz ser.

#7 Não te dás a Ninguém

Esta personagem está num bar, bebida e inspirada, e vê entrar uma mulher que o desarma. Cheio de coragem líquida, o tipo tenta captar-lhe a atenção e percebe, não sem um certo desespero, que ela lhe devolve sinais dúbios num constante ‘vai em frente/deixa-me em paz’.

Foi o nosso primeiro avanço de ‘Ser Nenhum’.

#8 Sente como é

Este é dos temas que melhor retrata aquilo para que o nosso som evoluiu. A bateria continua lá, assim como a guitarra e o baixo, mas tem uma dezena de outros elementos melódicos e percussivos que transfigura a nossa forma de contar histórias. Esta é sobre aprender a enfrentar a dor e as adversidades emocionais, sem encolher, sem desviar o olhar, sentindo-as como elas são. É sobre aprender com o que é real e não com artifícios que criamos para esconder o que realmente sentimos.

#9 Voltar a dormir

É a mais calma e curta do álbum, mas é também a mais triste e fatídica. Fala de alguém que prefere sucumbir ao sono e ao sonho e à ilusão de que ainda tem quem ama.

#10 Quando quiseres

Já todos nós passámos pela situação de nos sentirmos completamente à mercê de alguém. Alguém que nos usa, abusa, espreme até estarmos secos, apenas para nos descartar a seguir… Um dia volta, apenas para repetir todo o processo, sem que o consigamos evitar.

#11 Um segundo antes de acordar

Esta, ao contrário de todas as outras, não foi feita para este álbum. Era uma música que tínhamos deixado de fora d’O Amor e outros Azares por ser demasiado densa e pesada para lá encaixar. Fala de um amor pela morte e da fatalidade do amor, do quão perto estas linhas se aproximam e do controlo que não temos sobre elas. Achámos que foi simplesmente feita antes do seu tempo de nascer e que se fundia perfeitamente neste ‘Ser Nenhum’.

#12 Frinchas

Frinchas é das que melhor descreve o processo criativo e de composição para este disco. Fizemos dois retiros, de cinco dias cada um, em uma casa de um amigo em Arouca. Um no verão, outro no inverno. Passávamos as noites a tocar, em jam sem regras ou preocupações. Dormíamos até à hora do almoço e passávamos as tardes a ouvir e a juntar as melhores ideias da noite anterior. À noite, repetia-se o processo.

Esta música manteve-se muito fiel à sua forma original e faz-nos lembrar a maneira como fazíamos música na altura do 1, o nosso primeiro EP, com muitas e diferentes partes e um instrumental longo e progressivo. A letra fala sobre deixar a luz entrar pela janela toda e não pelas tímidas frinchas.

#13 Boa noite, Arouca

O último tema deste disco fala sobre alguém que descobre a paz e a felicidade numa ligação completamente disfuncional e submissa. Alguém para quem dar-se totalmente é o mesmo que receber tudo.

Decidimos esconder, bem no fim do tema, uma passagem de uma das nossas sessões em Arouca. Não sabemos bem que horas eram quando tocámos isto, mas é uma homenagem a alguém muito especial para nós.


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