“OUTRA VEZ ARROZ”, o novo disco de BALEIA BALEIA BALEIA, já se encontra disponível e marca o quinto lançamento do duo portuense – e o terceiro longa-duração, depois de “Baleia Baleia Baleia” (2018) e “Suicídio Comercial” (2022). Com selo da Saliva Diva e o apoio da Fundação GDA, o trabalho chega acompanhado de edição em vinil e CD, depois de a banda ter revelado no ano passado o single de avanço, “NPC”.
A dupla formada por Manuel Molarinho (baixo e voz) e Ricardo Cabral (bateria e voz) mantém aqui o espírito DIY que sempre os definiu, num disco que nasce da sua assinatura particular: baixo, bateria e voz como motor criativo.
#1 ANTIFA AO CONTRÁRIO É OTÁRIO
É a música que dá entrada ao disco e queríamos dizer ao que vínhamos sem rodeios. Foi a primeira vez que fizemos uma música com participações e foram logo muitas. O Marcus Veiga (Scúru Fitchádu) entrou com letra e voz, a Beatriz Bronze (EVAYA) com a voz sussurrada e 20 e tal pessoas (a quem carinhosamente chamámos de Coro Informal Antifa) vieram à nossa sala de ensaios gritar ‘Não Passarão’. É uma música pelo mínimo olímpico que é ser-se contra a opressão e fazia sentido incluir uma parte da comunidade nela, porque não se luta sozinho.
#2 VAI CHAMAR-SE OVERTHINKING, OU SE CALHAR NÃO, TALVEZ SEJA MELHOR UM TÍTULO EM PORTUGUÊS
A música que faz com que mais pragas nos roguem, porque o título é demasiado comprido e demora muito a escrever. Mas na realidade pensamos que nesta música faria sentido porque, para quem pensa demasiado, até a escolha do título te leva muitas vezes a um processo de exaustão.
#3 OUTRA VEZ ARROZ
Instrumental a partir de feedbacks do baixo em amps de guitarra e brincadeiras com os pedais de efeito. Para nós, só faz sentido esta música estar sempre colada à música seguinte, mas demos-lhe uma vida própria. O disco precisava de momentos para respirar e nós também.
#4 SOBRESTIMULADOS
Foi a primeira música que acabámos e começámos a tocar ao vivo do disco novo. É um olhar sobre nós, as pessoas próximas e a incapacidade que temos de nos movimentar calmamente com um chorrilho de informação tão brutal e com a impossibilidade de assentarmos e sentirmo-nos parte de algo. Os decisores políticos e o canibalismo económico decidiram que as cidades não são para quem lá vive, são para para quem as visita e nelas investe. Quem tenta lá viver está a sofrer com isso.
#5 DEIXA O FRIO ENTRAR
Há um misto de canções mais niilistas e outras em que impusemos um horizonte no nosso disco. Esta é claramente uma das canções com horizonte. Fala sobre empatia, sobre a possibilidade de sermos um corpo inteiro de acolhimento para alguém que precisa de apoio e do nosso apoio em particular. Tudo embrenhado em nevoeiro, como a cidade que habitamos.
#6 AUTO-EXTINÇÃO
Para inspiração, as contradições humanas sempre estarão no nosso coração. Esta é uma música de amor azedo a essas contradições. Sentimo-nos incapazes de lutar e agregar quando as pessoas parecem lutar contra os seus próprios interesses e segregam potenciais parceiros ao mínimo descuido e discordância. Perdemos a capacidade de dialogar e vemos o inimigo em pessoas parecidas, mas não 100% iguais. Estamos demasiado bélicos contra as coisas erradas e letárgicos contra as que precisávamos de ser mais combativos.
#7 SUPER-AGROBETO
Foi a última letra que surgiu. O instrumental fez-nos achar que seria uma música de super-heróis, mas só no fim das gravações nos apareceu esta figura do Super-agrobeto, que vai salvar o mundo dando a sua opinião sobre tudo, mesmo que não lhe diga respeito. Não é tanto sobre agrobetos, é mais sobre o patriarcado bolorento, sobre esta pretensa autoridade de homens conservadores e cerceadores de liberdades alheias de ditarem o rumo e morais dominantes das sociedades.
#8 HEDONINHO
Ter prazer é resistir. Não há desgraça que não queiramos tornar em festa e no fim do dia a vida é feita de pequenos e grandes prazeres. É normal sentirmo-nos mal quando desconfiamos da capacidade da humanidade se preservar, mas também não ficamos melhor se não nos soubermos divertir. É o nosso momento de leveza no disco.
#9 NPC
Também foi das primeiras músicas que fizemos e começámos a tocar. Surgiu de uma expressão que um amigo nosso diz com frequência e que nos chamou à atenção: as pessoas, às vezes, parecem NPCs. Parecem aquelas personagens dos jogos, alheadas do que se está a passar e sem vida. Representa o síndrome de impotência e incompreensão que temos sentido. E, como damos muita importância à primeira e última frase de cada disco, achámos honesto começar com a força de quem ainda está vivo ‘Enquanto tivermos tesão, não passarão’ e acabar com a quase resignação de quem não encontra solução ‘Quero querer desligar’.
Datas da digressão “OUTRA VEZ ARROZ”
13 Mar | PRAIA DA TOCHA | Piolho
14 Mar | LOULÉ | Bafo de Baco
15 Mar | FÁTIMA | Montamora SC
20 Mar | OVAR | TBA
21 Mar | FAMALICÃO | Casa do Artista Amador
2 Abr | BARCELOS | Feira da Isabelinha
3 Abr | SEIXAS | GRCA
4 Abr | GUIMARÃES | CAAA
5 Abr | BRAGANÇA | TBA
10 Abr | MONTEMOR-O-NOVO | Oficinas do Convento
11 Abr | BARREIRO | Galo Negro Fest
16 Abr | COIMBRA | Teatrão
17 Abr | LEIRIA | Texas
18 Abr | VISEU | Fora do Rebanho

