NAPA — Logo Se Vê

por Arte-Factos
Ano 2023
Estilos Pop
Editora Universal
“Logo Se Vê” de NAPA

Os NAPA nasceram na cave de uma avó no Funchal no ano de 2013. Os contornos da banda foram-se formando entre a energia dos Red Hot Chili Peppers, a criatividade dos Beatles e a sensibilidade de Caetano Veloso e Tom Jobim. A fórmula amadora e inocente das primeiras composições da banda (em inglês) cativou a atenção de amigos, família e não só. Trocaram o inglês pela língua materna, e a cave da avó pelo estúdio. Em 2019 gravaram o seu primeiro disco Senso Comum nos conhecidos Black Sheep Studios em Sintra, ainda sob o nome Men On The Couch.

A banda edita agora o seu segundo LP com uma roupagem mais madura, mas um espírito sempre moço. Logo Se Vê vem com novo nome de banda e desafia as premissas estabelecidas em Senso Comum, trazendo para cima da mesa maior complexidade e inventividade na estrutura das canções. A veia pop romântica continua a pulsar no corpo do disco, mas a fome de descobrir novos ritmos e texturas musicais é evidente ao longo do álbum.

#1 Jeito Pra Tudo

O álbum arranca com a faixa “Jeito pra tudo”, uma ode à procrastinação e criatividade. Estas duas virtudes vivem em conflito e em conjunto na vida do autor. A estrutura eclética e pouco convencional da canção mostra a génese do processo criativo, onde a banda passa pelo indie, hard rock e reggae em pouco mais de 3 minutos de canção. A letra aborda o conflito da procrastinação, onde o autor vê a vida a passar por ele, sempre do mesmo sítio.

#2 Aparentemente

A segunda faixa do álbum fala sobre sorte na vida. Aparentemente é a palavra-chave para o autor, que idealiza a sua vida como normal quando esta foi sendo atingida com várias marés de sorte. Tudo aparenta normal quando os arredores da nossa bolha se comportam e vivem da mesma forma. À medida que a bolha rebenta o autor vai-se apercebendo da fortuna que lhe encurrala e que a vida realmente conspira para lhe fazer feliz.

#3 Luz Do Túnel

Com “Luz do Túnel” os NAPA convidam o público a dançar ao som de um casamento feliz entre teclados e guitarras contagiantes. A batida certeira não deixa o pé do ouvinte ficar no chão, seguindo as percussões e harmonias vocais espalhadas ao longo da canção. Em contraste a letra fala de desespero, acompanhando a frustração e desconsolo do autor nas suas voltas à vida. Quando da luz ao fundo do túnel parece vislumbrar uma esperança, o mundo acaba por desabar novamente em escuridão. O defraudar incessante das expectativas reforça desorientação do autor e deixa poucas soluções no horizonte.

#4 Gigantes

Gigantes é uma balada servida em duas partes. A dualidade percorre a espinha da canção no eixo gigantes/formigas, alegre/triste, forte/fraco. Uma música de amor sobre a dor da distância que assombra dois amantes destinados um ao outro. A saudade habita em todas as divisões deste mundo nesta que é a primeira faixa colaborativa do álbum. A voz da Beatriz Pessoa intercala com o do Guilherme em forma de conversa, trazendo uma dinâmica muito peculiar à canção.

#5 Não Admira

Não Admira reflete sobre saudosismo e o sentimento de uma época mais bonita. A romantização do passado é muito tentadora quando a nostalgia insiste em enaltecer o que era bom e esquecer o que havia de mau. Procuramos nos anos dourados das nossas vidas as soluções para o presente, caindo num vício geracional que nos aquece o ego, e pouco mais. A atmosfera sónica remete para esse passado idílico inexistente, replicando o jardim de Éden, onde “antigamente é que era bom”.

#6 Todos os Loucos

“Todos os Loucos” apresenta-se como uma viagem eclética pelas influências da banda. O riff de guitarra e baixo eletrizante e a bateria pulsante vêm recarregar as energias do álbum. Numa largada rock-prog-pop-psicadélico-punk, os NAPA piscam o olho aos Artic Monkeys, Clash, Stevie Wonder e até Kanye West.

#7 Lembra

Em Lembra, os NAPA contam uma história de amor em retrospetiva. A paixão era forte e o tempo era escasso, quando dois amantes eram obrigados a viver os primeiros e últimos dias de amor numa ilha do paraíso. Uma nuvem de melancolia preenche todos os poros da canção à medida que o autor vai recordando a magia desses dias. Os acordes íntimos no início da canção evocam o silêncio que cercava o casal, quando o mundo fora da intimidade se mostrava irrelevante. O refrão irrompe numa orquestral, evocando a grande paixão de novo amor e uma esperança para um futuro em conjunto. A dualidade entre o refrão efusivo e o verso contido retrata a luta de uma relação vivida aos bocados.

#8 Assim, Sem Fim

Assim Sem Fim é o primeiro single do álbum “Logo Se Vê” onde os NAPA convidam a Silly que através da sua voz e poesia singulares deposita uma intimidade inesperada na canção. Numa odisseia musical sobre dois amantes desdobrada em quatro partes, deparamo-nos com as angústias cruas da distância e incompatibilidade. Na busca da verdade, encontram um amor assim, sem fim.

#9 Monte de Nada

Monte de Nada é a resposta à pergunta que se impõe logo no início da música: “pega no teu amor e joga fora, o que é que fica?”. O vazio intensifica-se quando o amor da nossa vida vai embora e leva tudo consigo. Uma mística “noir” paira sobre toda a canção, culminando num solo de saxofone intercalado com a pergunta inicial: “O que é que fica?”

#10 Volta e Meia

Volta e meia fala sobre distância. Os longos dias de interregno amoroso ganham um peso insuportável e a ternura espremida no último abraço tende a se dissipar com o tempo. No início da canção, as guitarras harmonizadas criam uma atmosfera íntima melancólica que rapidamente evolui com a banda completa e secção de sopros. O ritmo transforma-se novamente, mantendo o motivo inicial, aludindo à evolução da relação. No final volta tudo ao início, desta vez com uma esperança no horizonte final. Assim chega ao fim a história mais linda do mundo.

Logo se Vê vai ser apresentado no Musicbox, em Lisboa, nos dias 7 e 8 de Junho. A tour tem outras datas confirmadas: 21 de Julho no Summer Opening no Funchal e 11 de Agosto no Festival Altear no Porto Santo.


Partilha com os teus amigos