Soma Please — ballet

por Arte-Factos
Ano 2026
Estilos Indie, Pop
Editora Skud & Smarty Records
“ballet” de Soma Please

Os Soma Please, projecto luso-britânico formado por Nuno Bracourt e Rob Williamson, editam o seu EP de estreia, ballet. O ponto de partida deu-se em novembro do ano passado com Pockets On My Sleeves, single que teve estreia na BBC Radio, no Reino Unido, e que rapidamente captou a atenção da crítica e do público, antecipando o universo sonoro agora desenvolvido neste novo registo.

Em ballet, as canções apontam em direções distintas, mantendo sempre uma coerência subtil e envolvente ao longo do disco. É nos contrastes que a dupla encontra um espaço próprio, com o EP a percorrer diferentes estados de espírito: dos sintetizadores etéreos e ritmos pulsantes de Pockets On My Sleeves e What’s the Score, às guitarras acústicas e arranjos de cordas de Love e Alone, passando pela teatralidade pop de I’m a Fan.

Mais do que um início, este trabalho soa a descoberta, onde cada faixa revela não só uma direção, mas uma intenção de construir algo íntimo, livre e em constante transformação.

#1 I’m a Fan

Esta foi a última canção que escrevemos para o EP. Quando a começámos a compor, tínhamos uma ideia bastante clara do que queríamos sonicamente e de como poderíamos explorar essa ideia inicial. Talvez a maior influência nesta música tenha sido Nina Simone.

Foi um tema em que nos pareceu adequado conjugar diferentes estilos numa mesma canção pop, viajando entre diferentes universos. Essa viagem surgiu de forma intuitiva, mas sentimos que precisávamos ainda de um motor rítmico capaz de evidenciar essa versatilidade ao longo do tema. Por isso, convidámos o Julien Barbagallo para gravar as baterias e, para nós, foi a cereja no topo do bolo. O resultado acabou por superar aquilo que tínhamos imaginado, pois a bateria do Julien deu uma força rítmica suplementar ao tema.

#2 Love

Foi uma canção escrita no Algarve. Andávamos a ouvir muito Elliott Smith na altura e talvez isso nos tenha levado a querer experimentar compor uma canção com guitarras acústicas. A repetição do “I love you!” surgiu, e rapidamente percebemos que a canção poderia seguir um caminho mais épico e bastante diferente do que tínhamos inicialmente idealizado.

Gostamos quando isso acontece. Quando nos afastamos da ideia inicial, muitas vezes é porque há uma nova direção mais interessante a emergir e, de repente, tudo faz sentido.

Sentimos que um arranjo mais clássico ajudaria a transmitir simultaneamente fragilidade e grandeza. O objetivo era, acima de tudo, reforçar a dinâmica emocional da canção e ocorreu-nos usar violinos, o que, juntamente com as guitarras e o som envolvente do sintetizador no refrão, poderia ajudar a obter esse resultado.

#3 Pockets On My Sleeves

Este foi o nosso primeiro single e, de certa forma, a génese da identidade dos Soma Please. Curiosamente, nasceu sob pressão: tínhamos 30 minutos antes de ter de entregar as chaves do estúdio em Manchester.

Contámos com a ajuda de alguns músicos amigos. Nomeadamente o Gareth Jones nos sintetizadores e o Chris Rabbits no baixo.

Começámos pelo instrumental, e o Nuno sentiu desde cedo que a música teria um ambiente mais misterioso, inquietante, talvez até surreal e ardiloso.

Nesse dia, ele estava com frio e sem bolsos, imaginando como seria útil ter bolsos nas mangas do casaco para se aquecer. Foi assim que lhe surgiu a frase “I’ve got pockets on my sleeves”, com um duplo sentido — como se estivesse também a dizer “tenho um truque na manga”.

Gravámos os primeiros takes de voz com essa ideia, e foi a partir daí que construímos o resto da letra, explorando esse tom de ardilosidade e conflito ao longo da música.

Aquela bridge foi pura diversão. Adoramos explorar sintetizadores e sentimos sempre um certo apelo por momentos mais experimentais.

#4 Alone

Esta canção é muito especial para nós, pois sentimos que revela um lado mais cru e vulnerável. Foi daquelas músicas que praticamente se escrevem sozinhas.

Compusemo-la à beira-rio (rio Tees no norte de Inglaterra), com uma guitarra acústica, numa altura em que estávamos cansados de estar fechados em estúdio. Acabámos por contrariar algumas das abordagens mais técnicas que costumamos ter quando trabalhamos com mais instrumentos.

Demos prioridade à letra e procurámos contar a história da forma mais honesta possível. Quanto aos arranjos, os violinos (acrescentados à última hora e tocados por Gonçalo Martins) revelaram-se essenciais para a atmosfera final do tema.

#5 What’s the Score

Se em “Alone” procurámos simplificar, aqui fizemos exatamente o oposto. Sempre que pensamos nesta canção é a ideia de tensão que mais nos ocorre.

No estúdio, fomos como duas crianças a experimentar brinquedos novos, e isso levou naturalmente a que este se tornasse o nosso tema mais experimental. Foi como colocar todas as cores em cima da mesa e usá-las, com receio e sem ele.

É também uma canção diferente dentro do EP, até porque o Rob assume a voz na maior parte do tema. Além disso, as nossas influências electrónicas estão particularmente evidentes aqui.


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