Davi Santiago é um músico luso-brasileiro, com uma voz de textura e rouquidão características, traços estes marcantes na sua forma de se expressar. Fui Só Amor é uma coletânea de 6 canções e um poema que, através do uso de sonoridades brasileiras e portuguesas, explora temas como a morte, o amor e o autoconhecimento através de uma narrativa que aborda a relação entre o Brasil e Portugal de forma íntima e pessoal, com letras de caráter poético e introspetivo. Segundo Davi Santiago, o EP “É uma jornada de descoberta sobre o que é o amor, até ao momento da morte”. Fui Só Amor reforça a identidade artística de Davi Santiago e aponta novos caminhos para a sua carreira, dialogando com o cenário de música emergente em Portugal e no Brasil e ampliando o seu alcance dentro da música World / MPB contemporânea.

#1 Nos Reinos do Passado

Como porta de entrada para o EP, “Nos Reinos do Passado” aborda e dá a conhecer um dos pilares conceituais do projeto. Através da utilização de analogias, metáforas e apropriações – tanto das línguas e entidades religiosas dos povos originários do Brasil quanto do folclore, história e mitologia de Portugal – este poema une as sensações que nascem da paixão romântica e aborda a relação entre estes dois países de forma íntima e profunda.

#2 Olha o Brilho

Esse foi o primeiro single lançado e não foi por acaso. A letra aborda, com uma melodia quase de embalar, os 3 temas que são pilares tanto para o EP quanto para a maioria das minhas canções e textos: o amor, a morte e deus. Uma letra que aborda a presença de um deus que pode ser encontrado na natureza: “Enquanto o orvalho te cobrir serás um com deus” traduz muito bem e de forma sucinta esse sentimento.

#3 Mar à Noite

“Mar à Noite” é uma das músicas mais tranquilas desse projeto que é constituído de músicas tranquilas. Tenho essa composição guardada num lugar muito carinhoso no meu coração e adoro a carga poética que ela possui. Vejo sempre as mesmas imagens na minha mente enquanto toco, o que torna ela para além de uma canção, uma série de “pinturas” familiares às quais eu somente tenho acesso quando toco. Apesar de ser uma composição romântica que retrata um amor complicado, sinto que a devoção que existe nela é algo muito puro, genuíno e comum a todos nós.

#4 Fui Só Amor

“Fui Só Amor” é o que pode ser descrito como a canção matriarca do projeto. Lembro do momento em que os acordes foram surgindo na guitarra, enquanto eu estava sentado no chão do meu quarto morrendo de calor num dia de verão. Diferentemente de muitas das minhas composições, a letra desta veio surgindo aos poucos, ao longo de algumas semanas no que pareciam ser lapsos de lucidez. Uma das maiores honras que eu já tive foi uma amiga minha ter tatuado a frase “Toques de alma chegam pra ficar” no braço – frase essa que aparece duas vezes durante a canção. No geral é uma daquelas canções que une o público nos concertos e fez muito sentido para mim nomear o EP através dela.

#5 Espelho d’Água

Talvez esta seja a composição que melhor expressa a minha vontade de unificar sonoridades brasileiras e portuguesas. Logo no início a presença da guitarra braguesa é imensa e introduz linhas que remetem ao fado e ao sentimento que eu amo que dele provém. Uma das canções com a letra menos literal do EP, para mim é a que tem o maior efeito visual enquanto toco. “Espelho de água tão fugaz, que nunca vi anoitecer” e “Flor da matriz da cor do sol” são das letras de que eu mais me orgulho.

#6 Correnteza

Para fechar o EP eu escolhi a música que, na minha opinião, carrega a beleza mais singular entre todas as outras. É a música que aborda mais diretamente o tema da morte e faz disso uma experiência que traz aprendizado e mostra o que de facto importa nas nossas vidas. A música toda é um mantra lento e sentimental que termina inadvertidamente numa festa que aos poucos fica mais intensa, simbolizando a magia e a festa que deveria ser estar vivo.


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