Kactoslitos — Find The Gold

por Arte-Factos
Ano 2026
Estilos Rock
Editora Edição de Autor
“Find The Gold” de Kactoslitos

Depois de um ano particularmente criativo em 2025, marcado pelo lançamento do EP Losers e do álbum instrumental Desert, Lito Pedreira está de regresso para consolidar a sua identidade sonora e expandir o universo Kactoslitos. O seu novo álbum, Find the Gold, surge como a continuação natural deste percurso coerente, transportando-nos da vulnerabilidade e das paisagens áridas dos trabalhos anteriores para uma fase mais intensa, emocional e luminosa.

#1 Hurt (I)

Uma abertura do álbum, com um mood mais atmosférico e vulnerável, sustentada apenas por uma voz rouca num tema icónico. Mergulha no peso emocional do silêncio e prepara a viagem para um mundo fragmentado.

#2 The World Upside Down

Um tema forte e profundo, com batidas pulsantes e tensão melódica, que retrata um mundo em colapso onde caos e esperança coexistem lado a lado. Fala do sentimento constante de que tudo parece estar ao contrário, onde muitas vezes perdemos o nosso Norte.

Explora também a ideia de que todas as nossas ações geram reações — o mundo é cíclico e tudo acaba por dar a volta. No meio desse movimento, surge a necessidade de nos conhecermos melhor para conseguirmos sobreviver e manter o equilíbrio.

#3 No Surprises

Uma visão reinterpretada do original dos Radiohead, numa versão mais eletrónica, mas igualmente intensa. Foi um dos temas que acompanhou o início do projeto e já faz parte das atuações ao vivo dos Kactoslitos, ganhando agora nova forma e identidade dentro do álbum.

#4 Hurt (II)

Uma versão completa de um dos temas da banda que mais me influenciou nos últimos anos, os Nine Inch Nails. É uma reinterpretação onde procurei dar-lhe uma roupagem diferente do original, assumindo-o e transformando-o como se fosse um tema meu.

Ao vivo, ganha outra dimensão com a entrada da bateria forte e marcada, fazendo o tema crescer e expandir-se para um nível completamente diferente de intensidade.

#5 Get Out

Um dos temas mais intensos e emocionais do álbum, onde energia crua e urgência emocional se unem num verdadeiro grito de libertação. “Get Out” mergulha numa viagem interior marcada por relações tóxicas, medos profundos e pelos demónios que muitas vezes carregamos dentro de nós sem conseguir escapar.

A letra retrata a sensação de estar preso na própria mente — entre pesadelos, ansiedade, solidão e perda de controlo — criando uma atmosfera pesada, quase claustrofóbica.

Ao longo do tema, existe uma luta constante entre o medo e a necessidade de libertação, como se cada repetição de “Get Out” fosse um pedido desesperado para respirar novamente.

Entre batidas intensas e tensão sonora, o tema transforma vulnerabilidade em força, abordando o conflito interno que todos enfrentamos em silêncio. É uma música sobre enfrentar aquilo que nos bloqueia, aceitar as nossas sombras e procurar uma saída no meio do caos.

#6 Stranger on This Mirror

Com letra de Miss Aniana e música de Lito Pedreira, “Stranger on This Mirror” traz uma energia positiva e luminosa ao álbum, sem perder o lado reflexivo e emocional característico do universo Kactoslitos.

O tema fala sobre identidade, liberdade e a necessidade de aprendermos a coexistir melhor com as nossas diferenças — aquilo que, no fundo, nos torna únicos enquanto seres humanos. Através de uma mensagem aberta e esperançosa, a música relembra-nos que o mundo pertence a todos e que ainda existe espaço para empatia, mudança e ligação entre pessoas.

Entre elementos eletrónicos, ambiências envolventes e uma pulsação constante, a canção convida-nos a quebrar rotinas, sair do piloto automático e olhar para a vida com outra perspetiva. “The world is a round place, it doesn’t know any border or race” surge como uma das mensagens centrais do tema: o mundo é redondo, não conhece fronteiras nem diferenças absolutas — existe horizonte e espaço para todos.

“Stranger on This Mirror” acaba por ser também um convite à descoberta pessoal: parar, respirar e voltar a encontrar-nos no meio do ruído do mundo moderno.

#7 Find the Gold

O tema que dá nome ao álbum, é o mais pesado e energético do álbum, marcado por uma intensidade constante e uma batida forte e pulsante. “Find the Gold” é direto, poderoso e representa uma nova fase no universo Kactoslitos.

É um grito de força interior e transformação, que fala sobre a necessidade de encontrarmos o nosso próprio “ouro” — aquilo que temos dentro de nós e que muitas vezes esquecemos de valorizar.

“Dig down deep inside your mind, and deal with yourself / Be honest, formless, and be… Shapeless / Empty your mind and be like water / An original is worth more than a copy / Go and find the gold”

Entre texturas eletrónicas e ambiências cinematográficas, o tema cruza energia e introspeção, propondo uma busca por significado e beleza mesmo em tempos difíceis.

#8 Come Out and Play

Traz um momento de luz e tranquilidade ao álbum. Nesta interpretação de “Come Out and Play”, originalmente de Billie Eilish, Kactoslitos procura criar uma atmosfera mais íntima, emocional.

Através das texturas da guitarra, do baixo e da eletrónica, o tema ganha um novo caminho e uma identidade própria, mantendo a delicadeza da versão original mas transportando-a para um universo mais orgânico e envolvente.

É uma pausa emocional dentro do disco — um momento de respiração, proximidade e leveza no meio da intensidade da viagem.

#9 What a Wonderful World

Uma reinterpretação de um clássico que já faz parte da minha família há muito tempo. Com uma nova roupagem e uma abordagem mais pessoal, este tema mantém intacta a sua essência intemporal, mas ganha agora uma nova dimensão dentro do universo do álbum.

Foi também um dos primeiros temas que comecei a cantar e a trabalhar desde o início do projeto, acompanhando-me ao longo do seu desenvolvimento.

É uma homenagem ao meu pai, que cantava esta canção como ninguém. Existe aqui uma ligação emocional profunda, onde memória e música se cruzam, fazendo com que este tema nunca perca o seu encanto nem o seu significado.

#10 Pastor 2.0

É uma daquelas músicas que já me acompanhava há algum tempo, à espera do momento certo para ganhar vida. Esta versão acabou por crescer numa fusão entre o eletrónico e o improviso, resultando numa sonoridade envolvente e com uma energia bastante positiva.

Conta com a participação do Cadi e da Miss Aniana nas vozes, que trazem um toque único e inconfundível ao tema, acrescentando uma energia quase festiva que reforça ainda mais a sua identidade.

“Pastor 2.0” é uma reinterpretação contemporânea e eletrónica do tema original dos Madredeus, apresentada por Kactoslitos. Mantendo a essência melódica e emocional da obra original, esta versão propõe uma leitura estética moderna, marcada por uma batida forte, texturas eletrónicas e uma atmosfera intensa, alinhada com o universo sonoro do projeto.

A adaptação mergulha em arranjos atuais e camadas densas, criando um diálogo entre tradição e modernidade. O resultado é uma homenagem respeitosa ao legado dos Madredeus, ao mesmo tempo que transporta o tema para um novo contexto artístico — mais ousado, rítmico e contemporâneo.

#11 I Will Be Alright

Uma das músicas mais profundas e pessoais do álbum. “I Will Be Alright” nasce de um período de separação e mudança, marcado pela dor de estar longe de quem mais amamos. Apesar de a separação ter sido necessária, a distância física acabou por deixar uma ferida difícil de explicar.

O tema mergulha em sentimentos de perda, culpa, solidão e reflexão interior, retratando o momento em que tudo parece quebrado e sem direção. Entre memórias, arrependimentos e perguntas sem resposta, surge também a necessidade de aceitar o passado e encontrar força para continuar.

Musicalmente, a canção cresce entre fragilidade e intensidade emocional, acompanhando essa luta interna entre cair e reerguer-se. O refrão funciona quase como um mantra de sobrevivência — uma tentativa de acreditar que, mesmo depois da dor, tudo acabará por ficar bem.

“I Will Be Alright” é uma música sobre amor, perda, vulnerabilidade e reconstrução. Um olhar honesto sobre o impacto emocional das relações e sobre a esperança silenciosa que permanece mesmo nos momentos mais escuros.

#12 Right Where It Belongs

Encerramento contemplativo do álbum, que questiona realidade, pertença e ilusão, deixando a viagem em aberto.

Uma voz. Uma viola. Nada mais.

Versão intimista de “Right Where It Belongs” dos Nine Inch Nails, Kactoslitos despe a canção até ao essencial, revelando a sua forma mais pura. É uma interpretação crua e honesta, onde cada silêncio tem o mesmo peso que cada nota.


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